Documentários

A moda tem coração? Este documentário prova que sim

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Quantas missangas, costuras e mãos são precisas para fazer um desfile de moda? A resposta envolve lágrimas no filme "Dior e Eu", que se estreia em Portugal esta quinta-feira.

O título dá-nos a ideia de um conto de fadas onde não faltam roupas de encantar. Mas o mais recente documentário de Frédéric Tcheng é mais real e menos glamoroso do que se possa pensar. Dior e Eu abre as portas do universo exclusivo da maison francesa ao acompanhar a primeira coleção pela mão do diretor criativo Raf Simons. O desafio? Simons e a sua equipa têm apenas oito semanas para criar um desfile de alta-costura.

Com estreia marcada para 10 de setembro em Portugal, o documentário é o resultado de 250 horas de material filmado em 2012, quando Simons assumiu o cargo de diretor criativo da Dior. A ultrapassar uma altura decisiva na sua história, depois da polémica acerca dos comentários xenófobos que afastaram John Galliano, a especulação sobre o novo nome para a direção criativa da Dior era muita. E assim chegou Simons, vindo de um passado minimalista na marca Jil Sanders, envolto em mistério e expetativa, sob os olhares atentos e curiosos da indústria da moda e dos seus próprios colaboradores.

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Raf Simons a ver uma das suas criações. © Dior and I

Com a figura de Simons como espelho contemporâneo do fundador Christian Dior, o documentário segue de perto a pressão de tomar as rédeas de uma legado icónico, ao mesmo tempo que apresenta as apaixonantes costureiras e alfaiates que dão corpo e forma às criações Dior há mais de 40 anos. Segundo o próprio realizador explica em comunicado, todo o trabalho foi um diálogo entre o passado e o presente.

Tudo o que estava a acontecer perante a objetiva correspondia, quase ao detalhe, ao que Christian Dior descrevera em longos capítulos sobre a criação de uma coleção. Num momento, reconhecia a costureira de que falara, noutro momento aquela situação de tensão. Não há dúvida de que é um monumento ao poder da tradição. A História repete-se”, declara Tcheng.

Com quase 69 anos de história, a Dior ficou para sempre conhecida graças ao seu New Look. O eterno símbolo da casa, criado pelo fundador em 1947, era composto por uma saia cheia, de comprimento médio, cintura bem definida e um busto cheio. Uma reivindicação das silhuetas mais femininas que se tinham perdido durante os anos da segunda guerra mundial. Apesar de criticado na altura, o New Look sobreviveu até aos dias de hoje, até fazer da Dior um império e chegar às mãos de Raf Simons.

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Algumas variações do New Look. © Dior and I

Com as alegrias, os nervosismos e os medos à flor da pele, Dior e Eu oferece um olhar de dentro para fora, numa visão bem próxima e que mostra a faceta humana da indústria da moda.

Na sua estreia no nosso país, o documentário está disponível em simultâneo nas salas de cinema, em DVD e nos videoclubes das televisões.

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