A Câmara de Lisboa debate na quarta-feira uma proposta para dar início à requalificação do “eixo central da cidade” entre Picoas e o Saldanha, que passa por ter mais zonas de estadia e mais espaço público pedonal.

De acordo com a proposta assinada pelo vereador do Urbanismo, Manuel Salgado, o objetivo da intervenção é “potenciar e fomentar o crescimento de uma grande centralidade” através da articulação de “todos os diferentes sistemas urbanos”, como a rede viária, ciclável e pedonal, e do aumento das “zonas de estadia”.

A requalificação, que será desenvolvida no âmbito do programa “Uma praça em cada bairro”, mas que já estava prevista no Plano Diretor Municipal de 2012, “passa por regenerar o eixo central da cidade, com acréscimo de espaço público pedonal e dinamização do comércio e equipamentos marginantes [que estão à margem], pela sua articulação com esse mesmo espaço”, lê-se no documento. Além disso, vai ser criada uma praça em Picoas, localizada na “centralidade marcada pelo edifício sede da Portugal Telecom e pelo Centro Comercial Imaviz e Hotel Sheraton”.

A “futura praça de Picoas” estará interligada com a Praça Duque de Saldanha, que é, para Manuel Salgado, uma “rótula urbana importantíssima em todos os níveis”, por agregar muita atividade comercial e terciária – ali situam-se os centros comerciais Atrium Saldanha e Monumental.

Por isso, o executivo municipal liderado por Fernando Medina (PS) quer contratar uma empreitada pelo valor máximo de 9,4 milhões de euros (11,5 milhões incluindo o imposto sobre o valor acrescentando – IVA) para realizar as obras de reabilitação, que terão um prazo máximo de execução de um ano. Além desta intervenção, estão previstas obras nos largos da Graça e de Santos e na Rua de Campolide, proposta que também será debatida na quarta-feira.

No Largo da Graça, a autarquia pretende alargar os passeios, reordenar o estacionamento (cuja oferta passará de 202 lugares para 125 e criando alternativa de 80 lugares nas áreas envolventes), instalar esplanadas em frente aos restaurantes e melhorar o “coberto arbóreo”, explica Manuel Salgado no documento.

No Largo de Santos, propõe-se “o aumento substantivo das áreas pedonais, a alteração dos perfis da rede viária, o reordenamento do estacionamento automóvel e a implantação de áreas de estadia, com a instalação de novo mobiliário urbano, reforço da iluminação pública e o reforço do coberto arbóreo”. Já na Rua de Campolide e na sua envolvente, a Câmara tenciona “potenciar a utilização da praça” através da “melhoria das condições de estadia e circulação pedonal, da redução dos atravessamentos viários e da introdução de novas valências”, como a construção de um parque infantil e de um quiosque com esplanada.

Ao mesmo tempo, a autarquia prevê a “reativação da carreira elétrico 24” entre Campolide e o Cais do Sodré, que terá uma “estação terminal na praça”.

Na reunião de quarta-feira, a Câmara debate ainda duas propostas para a contratação de empreitadas de reabilitação dos arruamentos e estruturas de saneamento nas zonas ocidental e oriental de Lisboa, integradas no Plano de Pavimentação apresentado em julho, obras orçadas em oito milhões euros (perto de 10 milhões com IVA) e com um prazo máximo de um ano para execução.