A discussão em torno de #PortugalCoup, que em português significa golpe de Estado em Portugal, dominou as conversas na rede social Twitter no fim de semana e levou várias pessoas acreditar que estava realmente a decorrer um golpe de Estado, e a perguntar porque é que a comunicação social não estava a fazer a cobertura do assunto. Entre essas pessoas encontram-se dois deputados ao Parlamento Europeu. 

https://twitter.com/DanHannanMEP/status/658212189346598912

Daniel Hannan é britânico e membro do Parlamento Europeu, pela ala conservadora, e na sua conta do Twitter confessa “amar a Europa, não a UE [União Europeia]”. Neste post, reflete sobre o facto de a imprensa não falar no golpe de Estado português, e concluiu dizendo: “Eles são os nossos aliados mais antigos, por amor de Deus. ”

O também eurodeputado Stelios Koulogou, do Syriza, também acreditou que estava a decorrer um golpe de Estado em Portugal e demonstrou a sua solidariedade para com o povo português, afirmando: “O povo português merece mais: eles merecem a democracia. Solidariedade da Grécia”.

A hashtag #PortugalCoup estava no top 3 dos “assuntos de momento” da rede social Twitter, para quem está em Portugal, na manhã do passado domingo. Começou como um assunto sério, mas foi um pequeno salto até que o assunto originasse publicações mais cómicas, descontextualizando certas imagens ou temáticas para documentar um suposto golpe de Estado, ou simplesmente para brincar com o assunto.

Um utilizador do Twitter desejou ainda “que a força” estivesse com os portugueses, numa referência à famosa frase dos filmes da saga Star Wars.

O primeiro tweet com #PortugalCoup foi publicado pelo utilizador Francesco Lari, na passada sexta-feira, que comentava um artigo de opinião no The Telegraph, do editor Ambrose Evans-Pritchard, em que este falava das declarações de Cavaco Silva aquando da indigitação de Pedro Passos Coelho para formar governo. No seu comentário ao artigo, Lari dizia: “A UE declara-se: democracia suspensa em #PortugalCoup, eles [portugueses] precisam de continuar a votar até que atinjam o resultado certo…”.

Começou com um post sério, e #PortugalCoup ainda foi utilizada por outros utilizadores da rede social, com o propósito de comentar o artigo de opinião do editor do Telegraph, sendo utilizada com o mesmo propósito e sentido. 

https://twitter.com/BartoszScheller/status/657703181049307140

Nesta publicação, o utilizador comenta que a atuação do Presidente da República dizendo: “O Presidente português acabou com a democracia em Portugal, o fascismo voltou”. No tweet que se segue, o seu autor demonstra preocupação ao afirmar que estão a ser “tomadas todas as medidas para manter a esquerda afastada do poder”. 

Houve também quem usasse a hashtag para criticar a União Europeia, ou para aconselhar os portugueses em relação ao Presidente da República.

Depois, houve quem se dedicasse a brincar com a situação, dedicando-se a documentar o suposto golpe de Estado que estaria a decorrer em terras lusas, ou a pegar noutras temáticas e relacioná-las com a hashtag #PortugalCoup. 

https://twitter.com/sobrerui/status/658268180784238592

https://twitter.com/rpOliveira/status/658202247977897984/photo/1?ref_src=twsrc%5Etfw

(“Polícia enviada pelo governo fascista a tentar conter os protestantes da coligação de esquerda”)

Fez-se ainda referência a uma invasão de extraterrestres na Praça do Comércio, em Lisboa. Mas não queriam conquistar o país, apenas dançar o fado.

https://twitter.com/HelderAMF/status/658071433185218560

*Texto editado por Helena Pereira