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Bolsa de Lisboa derrapa 4% e regista maior queda desde o crash na China

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A bolsa de Lisboa derrapou 4,05% naquela que foi a pior sessão desde a segunda-feira negra de 24 de agosto, marcada pelo crash no mercado acionista chinês.

© Hugo Amaral/Observador

O principal índice da Bolsa de Lisboa, o PSI 20 recuou 4,05% na segunda-feira, acentuando as perdas no final da sessão. Esta é a sessão mais negativa desde o crash da bolsa de Xangai que afundou os mercados mundiais na “segunda-feira negra” de 24 de agosto, dia em que o índice lisboeta perdeu 5,8%.

A banca foi especialmente penalizada com o BCP a afundar quase 9,5% e o BPI a cair 8,9%. O Banif perdeu 10,7%. Igualmente muito penalizadas foram as ações da Mota-Engil, a descer 7,5% e da Pharol (antiga PT SGPS), que recuaram 7,6%.

A Altri, empresa de pasta gerida por Paulo Fernandes, foi o único título do PSI a fechar com ganhos. Lisboa liderou, destacada, as perdas na Europa onde as principais praças fecharam em queda. 

Também os juros da dívida de Portugal subiram em todos os prazos esta segunda-feira, com agências financeiras como a Bloomberg a noticiarem que o país enfrenta o risco de “reversão no corte da despesa pública” após os acordos anunciados no fim de semana pelo líder do Partido Socialista. A taxa a 10 anos está no nível mais elevado desde julho, por alturas do referendo grego, e regista – de longe – o maior agravamento dos juros entre os países da chamada periferia da zona euro. 

A pressão sobre os juros da dívida portuguesa a dez anos, recuou no final para 2,831%, mais 154 pontos base num só dia. 

Mas as taxas chegaram a negociar nos 2,86%, a subir 214 pontos base. Estes são os dois números que mostram a pressão que está a sentir-se nos mercados de dívida em torno da dívida pública portuguesa.

O primeiro valor – 2,86% – é a taxa absoluta exigida pelos investidores para comprarem, uns aos outros, dívida pública portuguesa a 10 anos. A taxa está a subir 18 pontos base, o que compara com subidas bem mais ligeiras em Espanha e Itália numa altura em que se torna cada vez mais provável que a Reserva Federal dos EUA suba a taxa de juro no próximo mês. Os juros de Espanha estão a subir sete pontos e Itália um.

GSPT10YR Index (PORTUGUESE GOVER 2015-11-09 10-36-10

O segundo número – 214 pontos base – é a diferença entre a taxa de Portugal a 10 anos e os títulos com o mesmo prazo na Alemanha. Este prémio de risco está prestes a superar os máximos fixados em julho, antes de Alexis Tsipras assinar o acordo para o terceiro resgate à Grécia.

O mais preocupante para Portugal é, precisamente, a tendência de forte subida deste prémio de risco exigido pelos investidores a Portugal, em comparação com os juros sem risco da Alemanha. No dia seguinte às eleições, quando se acreditava que PSD e CDS iriam formar governo com apoio do PS, este prémio de risco estava abaixo de 175 pontos base.

Houve, portanto, um agravamento de cerca de 40 pontos base no prémio de risco de Portugal no espaço de pouco mais de um mês. Por comparação, o que em Espanha é conhecido como a prima de riesgo mantém-se na casa dos 120 pontos base, exatamente onde estava no início de outubro. 

Em Itália este spread até está mais baixo do que estava no início do mês, apesar de ter subido nos últimos dias perante a probabilidade de a Fed subir as taxas de juro, cujas implicações procurámos explicar-lhe neste texto

Subidas maiores nos juros de Portugal têm, contudo, sido travadas pela perspetiva de que o Banco Central Europeu (BCE) estará prestes a reforçar os estímulos monetários através da compra de ativos no mercado, incluindo dívida pública. Outras medidas, como uma nova descida da taxa cobrada aos bancos pelos depósitos que estes fazem no BCE, também poderão estar na calha – o que contribui para baixar os juros de uma forma geral, incluindo as taxas Euribor.

 

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