O primeiro-ministro islandês pediu ao Presidente da Islândia para dissolver o Parlamento e convocar eleições antecipadas, dois dias depois de uma investigação do Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação ter divulgado que Sigmundur Gunnlaugsson e a sua mulher eram proprietários de uma empresa offshore desde 2007 com obrigações dos três maiores bancos islandeses, tendo dito o contrário ao Parlamento Islandês.

Depois de conhecido negócio, a oposição no Parlamento da Islândia disse que iria avançar com uma moção de censura e houve mesmo protestos na capital da Islândia a pedir a sua demissão. O primeiro-ministro garantiu na segunda-feira que não se iria demitir, mas acabou mesmo por fazê-lo.

https://youtu.be/ORlq_zrfWDc

De acordo com o que foi divulgado nos Panama Papers, Sigmundur David Gunnlaugsson e a mulher, Anna Sigurlaug Pálsdóttir’s, são proprietários de uma empresa chamada Wintris Inc., estabelecida no offshore das Ilhas Virgem britânicas pela Mossack Fonseca, que detém cerca de 4 milhões de dólares em obrigações nos três maiores bancos islandeses – que faliram na crise financeira de 2008. Na altura, Gunnlaugsson foi uma das vozes contra o resgate a credores estrangeiros.

Quando Gunnlaugsson entrou para o Parlamento, em 2009, não declarou que detinha esta participação na Wintris, apesar de só no último dia do ano ter vendido à mulher os 50% que detinha. Gunnlaugsson vendeu as ações que detinha a um dólar.

IMG_0779

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Ainda não se sabe se a posição política do primeiro-ministro beneficiou ou prejudicou o valor das obrigações detidas pela Wintris, mas sabe-se que não é a primeira vez que é confrontado com questões de âmbito fiscal. Gunnlaugsson já tinha abandonado uma entrevista a meio, realizada pela televisão sueca SVT, quando lhe foi colocada uma pergunta sobre a empresa. Afirmou não estar preparado para responder, questionando: “O que estão a tentar fazer aqui? Isto é totalmente inapropriado”.

Pedido recusado…para já

O Presidente da Islândia terá recusado o pedido de demissão do primeiro-ministro e o seu pedido de convocação de eleições antecipadas. Segundo o jornal britânico Guardian, Ólafur Ragnar Grímsson quer consultar os líderes dos restantes partidos com assento parlamentar antes de tomar uma decisão sobre o pedido.

Nas ruas de Reiquiavique, milhares de pessoas continuam a protestar contra o caso e pedindo a demissão do primeiro-ministro islandês.