O processo de difamação que a mãe de Bárbara Guimarães intentou contra Manuel Maria Carrilho já foi distribuído e foi cair precisamente nas mãos da juíza Joana Ferrer Antunes, que o está a julgar pelo crime de violência doméstica. A mesma magistrada que a defesa da apresentadora e o Ministério Público tentaram afastar por falta de imparcialidade.

Segundo fonte judicial, o processo foi distribuído eletronicamente esta quinta-feira e acabou por ser atribuído a Joana Ferrer Antunes, a juíza que está a julgar o ex-ministro Manuel Maria Carrilho pelo crime de violência doméstica.

Neste momento, a magistrada tem em mãos o processo em que Bárbara Guimarães acusa Carrilho de violência doméstica e ao qual foi conectado, ainda, um outro processo — em que a assistente é a irmã de Bárbara Guimarães, Alícia Teixeira Pinto. Agora, por distribuição eletrónica, o processo em que a mãe de Bárbara Guimarães, Isabel Santos, acusa Carrilho de difamação, também será julgado pela magistrada. Em causa estão declarações do ex-governante a vários jornais.

Recorde-se que o Ministério Público e a defesa de Bárbara Guimarães tinham pedido o afastamento da juíza do processo pelas considerações que teceu ao longo da primeira sessão julgamento. A própria juíza, dadas as acusações de parcialidade, pediu escusa de julgar o caso. Mas o Tribunal da Relação acabou por mantê-la no processo, numa decisão que não foi unânime.

Processo já esteve com outra juíza que também já tinha julgado Carrilho

Manuel Maria Carrilho já tinha sido julgado pelo crime de difamação num outro processo, movido pelo padrasto de Bárbara Guimarães, na sequência de declarações que prestou à comunicação social. Carrilho dizia que a ex-mulher — de quem se divorciou em 2013 — tinha sido vítima de várias tentativas de violação do padrasto. O tribunal condenou-o ao pagamento de uma indemnização de 25 mil euros por danos morais e a uma multa de 320 dias à taxa diária de 20 euros (num total de 6400 euros).

Manuel Maria Carrilho afirmou em entrevista que a ex-mulher tinha saído de casa aos 18 anos, porque o padrasto tentava violá-la. Numa das entrevistas, ao jornal Correio da Manhã, o ex-governante acusou também a mãe de Bárbara Guimarães de ser “fraca” por nunca ter impedido essas tentativas de violação.

Curiosamente, foi à juíza Ana Paula Baptista, que o condenou por difamação, que calhou inicialmente o julgamento pelo crime de violência doméstica. Carrilho pediu o seu afastamento do caso ao Tribunal da Relação de Lisboa, por haver factos que tocam nos dois processos — o que levou ao primeiro adiamento do julgamento (inicialmente marcado para 7 de outubro de 2015). O tribunal da Relação concordou e o julgamento foi atribuído a Joana Ferrer, que agendou a primeira sessão de julgamento para fevereiro. O julgamento está suspenso desde então. Será retomado a 13 de maio. Com a juíza Joana Ferrer a presidir.