Mudanças de humor, que muitas vezes são confundidas com mau feitio, falhas de memória, perda de libido ou afrontamentos são tudo sintomas induzidos pelas hormonas e aparecem nas mais variadas alturas da vida das mulheres. O sexo feminino é hormonal e quanto a isso não há muito a fazer, apenas aprender a viver com as hormonas.

“O corpo [feminino] é uma sinfonia hormonal perfeitamente afinada” e, consequentemente, qualquer mudança, por mais pequena que seja, pode ter efeitos secundários monstruosos, escreve Tami Meraglia, autora do livro The Hormone Secret. Marcela Forjaz, ginecologista, obstetra e autora do livro Estas Hormonas Deixam-me Louca!, concorda e acrescenta que “não podemos reduzir a expressão da nossa personalidade a fatores hormonais, mas a verdade é que as hormonas constituem uma intrincada rede num equilíbrio delicado com interferências umas nas outras”, o que faz com que pequenas alterações bioquímicas possam ter repercussões gerais.

Por alterações não se entenda apenas a gravidez. Há outros fatores ainda mais pequenos presentes no dia-a-dia das mulheres que são capazes de transformar a “Quinta Sinfonia” de Beethoven no som que sai de uma flauta de uma criança de seis anos.

Do stress à luminosidade, o que interfere com a libertação de hormonas

Em declarações ao Observador, Marcela Forjaz explica que é comum dizer-se que o stress interfere com o ciclo menstrual, tal como antigamente se culpava “os nervos”, mas “a verdade é que o stress origina a libertação de determinadas substâncias neuromediadoras que acabam por interferir com a libertação de hormonas a nível do sistema nervoso central, entre as quais as estimuladoras da libertação das hormonas sexuais.”

Mas não é só o corriqueiro stress que tem impacto na estabilidade do humor e da libido. As mudanças de estação, sobretudo pela alteração da luminosidade, ou os fatores alimentares também podem ter efeito na produção/libertação das hormonas.

A razão pela qual as hormonas são tão poderosas é porque são parte integrante da vida de uma mulher, em várias fases, desde a adolescência à idade adulta, passando pela gravidez, a peri-menopausa e a menopausa.

Menos discutida, a peri-menopausa inclui o período à volta da menopausa e chega a durar cerca de 10 anos, podendo começar a dar sinais da sua existência numa mulher de 35 anos, embora a idade média ronde os 42, segundo Marcela Forjaz. Independentemente da idade, mais cedo ou mais tarde os sintomas como afrontamentos, as mudanças de humor e as irregularidades menstruais, que se caracterizam por ciclos mais curtos (de 21, 24 ou 25 dias), vão aparecer e as mulheres vão voltar a ser envolvidas pelo turbilhão de sensações que são as hormonas.

Mas de que hormonas estamos a falar?

  • Progesterona — também conhecida como a “hormona que mantém a paz”, segundo a Harper’s Bazaar, quando começa a claudicar origina perturbações de humor e problemas de sono;
  • Testosterona — é a hormona amante e lutadora e tem um papel fundamental na libido. Quando começa a diminuir há quem faça tratamentos, mas a ginecologista diz que estes não são consensuais, uma vez que podem aumentar o risco de doenças cardiovasculares;
  • Estrogénio — é considerada o “Prozac da natureza”, por oposição à progesterona, que é considerada o “Valium do cérebro”. Assim que diminui aumenta a imprevisibilidade do humor, as zangas vindas do nada e os afrontamentos.

As alterações não se ficam pelo comportamento mas são também acompanhadas por mudanças físicas, nomeadamente aumento de peso e tendência para um depósito de gordura abdominal. Mas nem tudo é mau. As hormonas dão às mulheres justificação para os seus momentos menos bons e não são nenhuma desgraça. Marcela Forjaz salienta mesmo que “ninguém pode ser refém das hormonas” e é necessário aprender a lidar com a situação, independentemente da altura da vida ou da estação do ano.