A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) assinou um contrato de parceria “para a viabilidade socioeconómica” da Fundação Ricardo Espírito Santo Silva (FRESS). O acordo foi assinado na sexta-feira por Pedro Santana Lopes, provedor da SCML, e Conceição Amaral, presidente da Fundação.

Conciliando “interesses e propósitos” das duas instituições, a parceria tem como principal objetivo o “financiamento que garanta a continuação das atividades da FRESS”, pode ler-se na página da Santa Casa. O comunicado não divulga, no entanto, quaisquer valores monetários incluídos no acordo.

Como contrapartidas, o Museu-Escola realizará “projetos de conservação e restauro em património da SCML” e integrará os jovens que se encontrem em situação de “formação em contexto de trabalho”. Além disso, os jovens apoiados pela SCML terão direito à “oferta formativa da Fundação, através da criação de quota”.

A Fundação Ricardo Espírito Santo Silva foi criada em 1953 pelo banqueiro e colecionador de arte com o mesmo nome. Ao doar o Palácio Azurara e parte da sua coleção privada ao Estado Português, criou este Museu-Escola com a finalidade de proteger e divulgar as artes decorativas portuguesas e os ofícios com elas relacionadas.

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O Museu-Escola foi criado em 1953 com a missão de proteger e divulgar as artes decorativas portuguesas. © Hugo Amaral/Observador

Com o colapso financeiro do Grupo Espírito Santo, a FRESS perdeu o seu principal mecenas e financiador e ficou numa situação delicada, por falta de financiamento. No início deste ano, os trabalhadores não receberam o salário.

Em maio de 2015, o na altura secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier, anunciou um encontro com a Câmara Municipal de Lisboa e com a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa para compreender tanto a situação atual do Museu-Escola, como os moldes através dos quais a administração da Fundação estava a desenvolver o futuro do projeto. Dois meses depois, o município assinou um protocolo e deu um apoio imediato de 150 mil euros. Faltava a instituição liderada por Pedro Santana Lopes, que o faz agora.

Conceição Amaral expressou “imensa alegria” pela “continuidade” da “missão principal” da Fundação, que tem agora de “criar mais receitas próprias, trabalhar em conjunto para arranjar mais soluções”, defendeu Pedro Santana Lopes. “Agora vamos à procura do futuro”, concluiu.