Um consórcio europeu, que inclui a Universidade de Coimbra (UC), está a desenvolver uma tecnologia para tornar automóveis e aviões mais leves. O objetivo é produzir um material termoplástico para substituir partes de metal de alguns componentes, diminuindo o peso total dos veículos. Este pode ser o passo que faltava no sentido da redução do peso e aumento da eficiência energética, mantendo preços competitivos.

O projeto ComMUnion junta 15 parceiros europeus de cinco países europeus, entre empresas e instituições de ensino superior, e é liderado pela espanhola AIMEN (Asociación de Investigación Metalúrgica del Noroeste).

“Muitos automóveis, atualmente, já têm componentes reforçados com fibras, mas, em vez de termoplásticos, são resinas”, explica ao Observador o investigador Pedro Neto, responsável pela participação da FCTUC (Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade de Coimbra) no consórcio. Os termoplásticos, além de serem mais leves, “quando aquecem, ficam moles, ao contrário das resinas, que, quando aquecem, ardem”.

Além disso, os componentes em fibra utilizados atualmente são fabricados à parte e posteriormente unidos ao metal. O projeto ComMUnion quer unir no fabrico os termoplásticos e o metal, criando peças mais leves.

“A ideia é tirar o metal, que é bastante pesado, do interior destes componentes — mantendo o revestimento metálico –, e substituí-lo por componentes em termoplástico”, explica. No início, será implementado em componentes de automóveis, mas o projeto vai expandir-se, depois, para a aeronáutica. Um dos parceiros do consórcio é, precisamente, a Aciturri, empresa espanhola desse ramo.

Apesar de um dos objetivos do programa ser a distribuição desta tecnologia a um preço mais competitivo que os componentes normais, Pedro Neto reconhece que “no curto prazo não será mais barato, e será aplicado nas séries de automóveis em que o preço não é tão relevante para os clientes”. “Começará mais caro, mas a ideia é que com a massificação da produção, se torne mais competitivo”, refere.

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Universidade de Coimbra vai contribuir com software para a produção

O papel da UC no projeto “será, essencialmente, na parte do processo e não na parte do produto”, acrescenta o investigador. Os componentes em termoplástico serão fabricados em série, por robôs, com software criado pela equipa de Coimbra. Como explica Pedro Neto, “a Universidade de Coimbra entrou no projeto porque esta tecnologia existe em laboratório mas não está industrializada. É preciso desenvolver esta parte”.

De acordo com o responsável pelo projeto ComMUnion na UC, os robôs são “necessários para a produção em série dos componentes” que entram nesta tecnologia, mas, atualmente “não são programados de uma forma fácil”. “As empresas até queriam ter mais robôs, mas têm dificuldades em adaptá-los sempre que é preciso fazer uma mudança no sistema produtivo”, diz Pedro Neto.

A tarefa da equipa do Departamento de Engenharia Mecânica da UC é, precisamente, “criar um software de programação em que o utilizador possa, a partir do desenho, gerar os programas do robô”. Nas fábricas, explica Pedro Neto ao Observador, a produção chega a estar parada durante uma semana quando é necessário fazer alterações no processo. Com o programa desenvolvido para este projeto, é possível “gerar pré-programas do robô, e, em vez de ter uma fábrica parada uma semana, pode estar apenas meia tarde sem produzir”, em caso de necessidade de mudanças no processo produtivo.

O projeto é financiado pela União Europeia, com cerca de cinco milhões de euros, ao abrigo do Horizonte 2020.

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