O Brasil é o país da América Latina com maior crescimento da dívida externa, alertou a agência de notação financeira Moody’s, num relatório divulgado na quarta-feira.

“A dívida está a crescer mais rápido no Brasil do que na região como um todo, levando a relação de dívida externa sobre o PIB [Produto Interno Bruto] do país para 38% em 2015, partindo de 22% em 2005”, segundo um comunicado da agência, que elaborou um relatório sobre a evolução da dívida externa em mercados emergentes.

A Moody’s, que analisou 83 economias, aponta que, embora seja uma proporção relativamente baixa num contexto global, “continuará a crescer se a economia do Brasil se contrair mais”.

“A América Latina teve a segunda maior média de dívida externa sobre o PIB entre quatro regiões, com 48% no final de 2015, comparado a 78% na Europa emergente, 47% na Ásia-Pacífico e 43% em África e no Médio Oriente”, informou a agência. No entanto, adiantou, “ao contrário das outras regiões, a dívida do setor público em 25% do PIB é ligeiramente mais alta do que a do setor privado, em 23%”.

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De acordo com o relatório, “as economias dos mercados emergentes estão a tornar-se cada vez mais vulneráveis a choques externos, após uma década de acumulação de dívida”.

A dívida externa total dos mercados emergentes e de fronteiras (países emergentes com economias de menor porte) “quase triplicou de 3 bilhões de dólares em 2005 (2,7 bilhões de euros) para 8,2 bilhões de dólares (7,4 bilhões de euros) no final de 2015, de acordo com as informações da Moody’s.

A agência de classificação de risco destacou ainda que “a dívida agora está a crescer mais rápido do que o PIB e do que as reservas internacionais para muitos desses países”.

“O aumento da dívida é impulsionado pelo crescimento do endividamento privado, em vez do público”, sendo que, desde 2005, a dívida externa do setor privado cresceu a 14,3% ao ano enquanto a dívida do setor público aumentou a 5,9%, realçou a Moody’s.

A agência norte-americana espera que “o crescimento global permaneça lento a médio prazo e que os preços das ‘commodities’ continuem baixos por vários anos”.

“Isto afetará as receitas cambiais e a acumulação de reservas dos exportadores de ‘commodities’. O potencial de diminuição dos fluxos de capitais, caso as taxas de juro nos Estados Unidos continuem a subir, também agravaria a situação da dívida nas economias emergentes”, informou a Moody’s.

Elena Duggar, da Moody’s, referiu que as tendências “mostram que os mercados emergentes e de fronteiras são agora mais suscetíveis às crises económicas amplas do que eram há alguns anos”.