Seriam necessárias 642 horas para cumprir a pé os 4,139.8 quilómetros que separam Lisboa de Tórshavn, a capital das Ilhas Faroé. É o que diz o senhor Google, que deve ter feito umas contas malucas para contornar o facto de ser difícil caminhar sobre a água. A menos de 24 horas do jogo Ilhas Faroé-Portugal para a qualificação do próximo mundial, o Observador aventura-se numa viagem até àquele país… do qual sabemos tão pouco, certo?

Comecemos pelo princípio. “As Ilhas Faroé compreendem 18 ilhas, localizadas no Atlântico Norte, quase equidistante entre a Noruega, Islândia e Escócia. A capital chama-se Tórshavn e a extensão territorial é de 1.399 quilómetros quadrados”, pode ler-se no site oficial da Dinamarca, país ao qual pertencem as Ilhas Faroé, que garantiram o direito a ter um governo autónomo em 1948.

Em fevereiro de 2014, diz o site oficial do turismo daquele país, eram mais de 48 mil habitantes, sendo que quase metade vivia na área metropolitana, em cidades como Tórshavn, Kirkjubøur, Velbastaður, Nólsoy, Hestur, Koltur, Hoyvík, Argir, Kaldbak, Kaldbaksbotnur, Norðradalur, Syðradalur, Hvítanes, Sund, Kollafjørður, Signabøur e Oyrareingir. Quanto a religião, cerca de 80% dos habitantes pertence à Igreja Evangélica Luterana. A pesca é a grande fonte de rendimento desta gente e representa 97% das exportações das Ilhas Faroé. Ah, o idioma falado é a língua feroesa.

“Há duas moedas de valor igual a circular: a coroa feroesa e a dinamarquesa, se bem que o governo local apenas imprime notas (as moedas, tal como as notas, impressas na Dinamarca são aceites)”, contava o Público numa reportagem de julho de 2015. “Em alguns espaços, nas cidades mais importantes, é provável que aceitem moeda estrangeira mas é mais a exceção do que a regra e o câmbio não será, de forma alguma, favorável ao orçamento do turista.”

The Faroe Islands flag is pictured at the Vestmanna village Streymoy island on October 14, 2012, Faroe Islands. The Faroe Islands are known for its fishing and sheep farming as the main industries. AFP PHOTO / JONATHAN NACKSTRAND (Photo credit should read JONATHAN NACKSTRAND/AFP/Getty Images)

A bandeira do país (JONATHAN NACKSTRAND/AFP/Getty Images)

Bom, continuemos esta aventura, agora de mão dada com um artigo do Belfast Telegraph, de 2014. Ou seja, há um certo risco de as coisas já não serem totalmente assim. Segundo este artigo desse diário britânico, as Ilhas Faroé formaram-se há 30 milhões de anos, à boleia da atividade vulcânica.

O artigo, lá está, fazendo deste algo super original (not), foi escrito por ocasião do Irlanda do Norte-Ilhas Faroé. É sempre o futebol que nos faz ouvir ou falar um bocadinho sobre este pequeno país, onde, diz o mesmo artigo, não há McDonalds. Outra pérola: as Ilhas Faroé só têm, ou tinham em 2014, três semáforos, todos eles situados na capital, Tórshavn, e bem perto uns dos outros. Mais? Este país não tem uma prisão. Aqueles que são condenados a penas longas são enviados para a Dinamarca. Okay, mais uma: a observação de aves (birdwatching) é muito popular para aqueles lados…

E o tal dark side? É o whaling, que é a matança de baleias nas águas daquele país, que ficam manchadas de sangue, num cenário dantesco. A Dinamarca proíbe esta prática no seu território. Segundo este artigo do Daily Mail, o povo das Ilhas Faroé matou em média 838 baleias anualmente… nos últimos 300 anos. É cultura e tradição, mas tem tido cada vez mais vozes e ativistas contra. As imagens impressionam.

Cinco-zero em 2008. Quem se lembra?

Peguemos então no dossier que nos trouxe até aqui: o futebol. Quem é e o que fez este país que ganhou pela primeira vez um jogo a sério em setembro de 1990 vs. Áustria? Não, o legado não é grande espingarda. Portugal defrontou-os uma vez, em agosto de 2008. O particular ficou 5-0, com golos de Carlos Martins, Simão Sabrosa, Duda, Bruno Alves e Nani.

Nunca na sua história conseguiu um apuramento para um Campeonato da Europa ou Mundial. Em 128 jogos de qualificação, entre 1992 e 2014, as Ilhas Faroé registaram 11 vitórias, dez empates e 107 derrotas. Os homens daquele país sofreram 350 golos e festejaram apenas 70. Apesar deste pobre historial, a federação do país conseguiu atrair o interesse de Allan Simonsen, um ex-futebolista dinamarquês, que jogou no Barcelona entre 1979 e 1982. O antigo avançado com pinta foi selecionador das Ilhas Faroé de 1994 a 2001.

A seleção nacional das Ilhas Faroé está neste momento no 111º lugar do ranking FIFA. O mesmo é dizer que está muuuuito melhor do que costuma estar, pois a posição média desde que o ranking foi criado é 133º. O melhor momento que viveram foi em 2015, quando ocuparam a 97ª posição, enquanto em 2007 estacionaram em 194º lugar.

O campeonato daquele país chama-se Effodeildin e tem dez equipas. O líder atual da liga é GÍ/LÍF Víkingur, com 55 pontos, mais um do que os rivais KÍ Klaksvík. O homem-golo é Klaemint Olsen, que já festejou 21 golos em 25 jornadas. Os registos deste avançado de 26 anos são impressionantes. Ora vejamos os golos nas últimas três épocas: 26, 24 e 24. Tem o pé quente.

Na segunda-feira, quando Cristiano Ronaldo e companhia entrarem em campo para conquistar a segunda vitória da qualificação — Portugal perdeu com a Suíça (0-2) e venceu a Andorra (6-0) –, é isto que irão ouvir do outro lado antes do apito inicial:

Artigo atualizado segunda-feira, às 1h13: o whaling não estava referido na primeira versão.

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