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Os animais que ocupam o topo da hierarquia dos grupos têm acesso aos melhores alimentos e podem acasalar com os melhores parceiros, o que lhes garante mais hipóteses de sobrevivência (do próprio e da descendência). Mas enquanto os machos lutam para ocupar os lugares mais prestigiados, as fêmeas aguardam que os membros mais velhos morram para subir na hierarquia. Estas conclusões foram publicadas na revista científica Scientific Reports.

“Descobrimos que, depois de entrar na hierarquia dos adultos, havia uma ausência absoluta de disputas bem-sucedidas, pela subida no ranking, entre fêmeas”, disse Steffen Foerster, coordenador do estudo e investigador sénior na Universidade Duke, citado em comunicado de imprensa. “É como uma fila formal.” As conclusões foram baseadas em mais de 40 anos de registos diários de cerca de 100 fêmeas selvagens no Parque Nacional Gombe, na Tanzânia.

As fêmeas entram na hierarquia aos 12 anos e depois disso ascendem sequencialmente, sem disputas. O lugar que ocupam nessa altura ainda não foi completamente entendido pelos investigadores, mas poderá ser determinado pelo lugar que a própria mãe ocupa. Já os machos têm de lutar bastante para ocuparem os melhores lugares, uma posição que alcançam por volta dos 20 anos. Depois disso, a ocupação dos lugares na hierarquia é descendente.

O sucesso reprodutivo é a chave para explicar estes comportamentos, ainda que tão distintos entre os dois grupos. “Se um macho tem uma posição elevada no ranking, ainda que por pouco tempo, mas consegue acasalar com muitas fêmeas, vai atingir um elevado sucesso reprodutivo”, explica Anne Pusey, professora de antropologia evolutiva na Universidade Duke. “As fêmeas só conseguem criar uma cria de cada vez, por isso o sucesso reprodutivo delas depende sobretudo em quanto tempo vivem.” Comparadas com os machos, as fêmeas optam por uma estratégia de longo-prazo.

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