Ourém. Criança foi encontrada com saúde a dois quilómetros de casa

A criança, que já está com a família, foi encontrada "no meio da serra", mas "com saúde", confirmou ao Observador a GNR, que montou um perímetro de segurança no local. A GNR fotografou o momento.

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A GNR partilhou, no Facebook, uma imagem do momento em que Martim foi encontrado

Facebook/GNR

A GNR partilhou, no Facebook, uma imagem do momento em que Martim foi encontrado

Facebook/GNR

A criança que desapareceu, esta segunda-feira na freguesia de Urqueira (em Ourém, distrito de Santarém), foi encontrada esta terça-feira a cerca de dois quilómetros de casa, informou fonte da GNR ao Observador. Uma amiga da família confirmou que Martim já está com a família. A criança, que foi encontrada sem sinais de hipotermia apesar de ter chovido bastante durante a noite, tinha desaparecido por volta das 9h de segunda-feira, na freguesia de Urqueira. Após ter sido encontrada, foi levada para o Hospital de Leiria, onde foi avaliada, mas neste momento já recebeu alta hospitalar.

De acordo com a GNR, Martim estava “a chorar, aparentemente de boa saúde” quando foi encontrado por um elemento da GNR “no meio da serra”. A Polícia Judiciária passou a manhã no local, onde foi montado um perímetro de segurança, com entrada permitida apenas aos familiares da criança e moradores da aldeia. Fonte da GNR confirma que as investigações deverão continuar “para perceber se de facto a criança passou a noite naquele local ou não”.

O pai da criança, Marco Teixeira, foi esta tarde ouvido pela PJ. A viver em França, terá sido contactado ontem por telefone e terá desembarcado no Porto esta manhã. Foi ouvido durante duas horas nas instalações da PJ de Leiria, acompanhado por uma advogada, e não prestou qualquer declaração à comunicação social. A SIC Notícias avançou que Marco seguiu para a casa dos avós da criança, acompanhado pela advogada e o irmão. Mas não foi permitida a entrada do tio do menino.

A GNR partilhou no Facebook o momento em que encontrou a criança:

Sandrina Silva, mãe da criança, explicou na segunda-feira ao Observador que a criança tinha desapareceu da casa dos avós. “O Martim estava em casa dos meus pais esta manhã, porque é a minha mãe quem toma conta dele”, conta Sandrina. De acordo com o relato da mãe, a criança estaria no exterior com os avós, naturais de Guimarães. Quando os avós tiveram de ir ao interior da casa “para colocar alguma coisa na mesa”, ao regressar, já não o encontraram.

“A minha mãe assim que não o viu começou a chamar por ele, e foi a uma rua abaixo à procura”, recorda. “Não estiveram no interior da casa nem 5 minutos”, explica a mãe de Martim ao Observador.

A avó da criança, Maria Marques, contou à SIC Notícias que Martim “corre muito bem”, pelo que a fuga, apesar de ser “muito estranha, é possível”. Ainda assim, a mulher estranha o local em que a criança foi encontrada. “Encontraram-no no pinhal. É longe, admira-me muito como é que ele de repente fugiu para tão longe, num caminho mau, a subir”, acrescentou.

Agentes encontraram Martim “a chorar, todo molhado”

O agente Carreira, da GNR, contou à SIC como foi o momento em que encontrou Martim. “Foi uma sensação de alegria, o menino sentiu-se ao colo de alguém outra vez”, explicou o agente. “Quando eu cheguei ao pé do Martim, consegui vê-lo sentado, a chorar, todo molhado”, recorda. A primeira ação do guarda foi retirar a roupa à criança e envolvê-la com o seu casaco.

De acordo com outro agente da GNR, aquele “era um terreno difícil de procurar, porque era muito denso, era um terreno de tojo”, o que impediu inclusivamente os cães de avançar “porque se picavam”.

Mãe tinha a custódia de Martim desde sexta-feira

Martim vivia apenas sob guarda da mãe, Sandrina, que se separou recentemente do companheiro, que vive atualmente em França. Teresa Silva, amiga da mãe de Martim, contou ao Observador que “a custódia do menino foi atribuída à mãe na última sexta-feira”. Nesse dia, o pai “esteve cá, mas agora não sabemos se ainda cá está”.

Fonte da GNR adiantou ao Observador que a mãe da criança foi ouvida esta segunda-feira pelas autoridades. O pai, Marco, residente em França, deveria ser interrogado esta terça-feira pela PJ, assim como vários membros da família materna e paterna de Martim, avançou a TVI24, que adianta ainda que o pai já foi contactado pelas autoridades, garantindo desconhecer as causas do desaparecimento.

O processo de atribuição da custódia da criança à mãe não terá envolvido conflito entre as duas partes. De acordo com Sónia Frias, advogada da mãe, em declarações à TVI24, “o pai não concordou com os termos do acordo”, mas a informação que existe é “que o pai, no sábado, se deslocou para França, onde ele já residia e trabalhava”.

“Isto está a matar a família”

Teresa Silva contou à RTP que o pequeno Martim — que faz dois anos no próximo dia 27 de outubro –, estava no terraço da casa quando a avó entrou na habitação para “picar uma cebola”. Segundo a amiga de longa da data, a avó não demorou mais do que dois minutos e, depois de se aperceber da ausência do neto, pediu ajuda aos vizinhos para que a ajudassem a encontrar Martim. Só depois chamou a GNR e PJ.

A amiga da família acrescentou ainda que Sandrina e Marco, mãe e pai de Martim, não estariam bem, dado que Sandrina ficou com a custódia da criança. “O Marco não ficou satisfeito, mas daí a raptá-lo… Era preferível que ele estivesse com o Marco. O Martim está desaparecido há quase 12 horas. Isto está a matar a família.”

Caso o pai esteja mesmo em França — e não esteja envolvido no desaparecimento da criança –, a hipótese de alienação parental, a primeira a ser considerada pelas autoridades, ficará afastada.

Em declarações à TVI, Teresa Silva garantiu ainda que o Martim nunca foi negligenciado pela família: “Eu ponho as mãos no fogo por esta família, eu conheço-a há muitos anos. A criança estava muito bem tratada, não era negligenciada. Havia problemas entre os pais, mas só eles é que têm de resolver isso”.

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