Os partidos da coligação governamental liderada pela chanceler alemã, Angela Merkel, permanecem divididos sobre o nome do futuro Presidente da Alemanha e reagendaram para a próxima semana novas discussões para tentar alcançar um consenso.

Segundo a tradição política alemã, os partidos da coligação governamental, o bloco conservador da chanceler CDU/CSU (União Democrática Cristã e União Social Cristã da Baviera) e os sociais-democratas do SPD, devem alcançar um acordo sobre o nome de uma personalidade para esta função essencialmente honorífica, que deve estar acima dos interesses partidários e representar a consciência moral do país.

Foi isso que aconteceu na eleição do atual chefe de Estado Joachim Gauck, um antigo dissidente da RDA comunista (República Democrática Alemã) de 76 anos, cujo mandato termina em março de 2017.

A eleição é feita por sufrágio indireto, por um colégio que reúne membros das duas câmaras do parlamento alemão.

Mas desta vez os dois campos políticos estão a ter dificuldades em alcançar um acordo, em parte por causa da perspetiva de eleições legislativas no próximo ano.

Depois de várias semanas de impasse, um encontro realizado hoje entre Angela Merkel, presidente da CDU, Horst Seehofer, presidente da CSU (partido-irmão da CDU) e Sigmar Gabriel, líder do SPD, não foi suficiente para alcançar um compromisso.

“Não há acordo”, indicou uma fonte próxima das negociações, em declarações à agência noticiosa francesa AFP.

“Um acordo ainda não está excluído”, disse, por sua vez, Sigmar Gabriel, em declarações à imprensa alemã, indicando que as negociações serão retomadas na próxima semana com o objetivo de “finalizar” o processo.

O SPD faz campanha por um dos seus elementos, o chefe da diplomacia alemã Frank-Walter Steinmeier, uma personalidade muito apreciada na Alemanha, mas que tem sido rejeitada pelos conservadores.

Entre os vários nomes avançados pelos partidos conservadores consta o atual ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, que na Europa é encarado com alguma controvérsia devido à sua inflexibilidade na crise da dívida.

Na falta de acordo, os dois campos políticos podem competir com candidatos rivais na eleição agendada para fevereiro de 2017.