Sete militares ligados ao curso de Comandos foram detidos na manhã desta quinta-feira durante uma operação da PJ Militar e do DIAP de Lisboa, confirmou o Exército em comunicado. A Procuradoria-Geral da República explicou que entre os detidos se encontra o médico responsável pelo acompanhamento dos recrutas e o diretor do curso de Comandos, além de cinco instrutores.

Na nota enviada às redações, o Exército esclarece que “a apresentação dos mandados ao Comando do Exército decorre do previsto na lei quanto à detenção de militares no ativo e na efetividade de serviço”. A instituição comunica ainda que o ministro da Defesa Nacional, Azeredo Lopes, “continua a acompanhar o assunto, em estreita ligação com Sua Excelência o General Chefe do Estado-Maior do Exército”.

Os detidos, vão ser interrogados já como arguidos, e serão, depois, transferidos para o estabelecimento prisional militar de Tomar, devendo ser presentes a um juiz na sexta-feira, em Lisboa. Segundo o comunicado da PGR, os detidos são suspeitos de crime de abuso de autoridade e ofensa à integridade física. Estes crimes podem resultar numa pena de prisão entre 8 e 16 anos.

De acordo com o Expresso, o despacho do Ministério Público que ordenou as detenções refere que os instrutores do curso de Comandos eram “movidos por ódio patológico, irracional conta os instruendos” e trataram-nos “como pessoas descartáveis”.

Os sete arguidos detidos esta quinta-feira juntam-se a dois enfermeiros, que já tinham sido constituídos arguidos anteriormente, mas que não estão detidos.

O caso remonta a 4 de setembro, dia em que o militar Hugo Abreu morreu depois de um exercício no treino dos Comandos. Outro militar, Dylan da Silva, foi transferido para o hospital no mesmo dia, e viria a morrer uma semana depois, à espera de um transplante hepático.

Neste momento, decorrem duas investigações em paralelo: uma da Ministério Público e outra interna, no Exército. Além destas duas, o Exército está também a investigar as condições em que decorrem os cursos daquela força especial.