O mundo está ansioso pela estreia do filme A Bela e o Mostro, cujo trailer oficial já soma milhões de visualizações. Porém, a polémica que se acende agora na Internet é outra: promove o filme a violência doméstica, ainda que não haja agressão direta do Monstro à Bela? Muitos defendem que sim.

Um professor, que permanece no anonimato, terá incentivado durante as suas aulas este debate sobre o facto de o filme apelar à violência doméstica e, como seria de prever, o tema não ficou confinado apenas ao ambiente das suas aulas. O plano de aula em questão foi divulgado online, sendo detalhado pelo Metro, onde se pode ler afirmações como:

“A Bela é a vítima, numa relação má, onde o seu trunfo é a sua sexualidade”

“O Monstro não ataca fisicamente a Bela, mas a ameaça está presente”

“O filme mostra que uma mulher bonita e doce, pode transformar um homem abusivo num homem gentil. Por outras palavras, a culpa é da mulher se o seu homem for abusivo. E, claro, o monstro torna-se num príncipe bonito e esbelto porque as pessoas feias não podem ser felizes”

Mas o filme A Bela e o Monstro não é o único a ter sido alvo de críticas quanto aos valores que passa aos mais novos. Também outras princesas foram acusadas de serem estereotipadas em ideais machistas, entre as quais a Pequena Sereia, a Cinderela, a Bela Adormecida, a Branca de Neve ou a Jasmine, seja pela obrigação de servir sete homens (7 anões) ou pela escravidão da “gata borralheira” abusada pela “madrasta má”. E, afirma-se, as princesas não se importam em ser escravas porque sabem que há sempre um príncipe bonito e rico que as vem tirar da suas tormentas. Mas a vida real não é assim e é esta a ideia que se passa para as crianças, afirma-se no Metro.

A aula onde a problemática foi discutida tem como tema “O racismo e o sexismo na Disney” e tem como público-alvo alunos entre os 11 e os 16 anos, tendo sido colocada online por um professor, em Inglaterra, que dá aulas sobre a Cidadania.

Já Phil Davies, um conhecido ator e escritor do Reino Unido, avança o Metro, vem afirmar algo completamente diferente,

“Os pais dos alunos vão ficar horrorizados para se aperceberem que, nas escolas, andam a fazer lavagens cerebrais sobre questões do politicamente correto. Os pais enviam os seus filhos para a escola para aprenderem matemática, ciência e história… não para aprenderem este lixo. O governo deve parar com esta estupidez e garantir que as escolas ensinam aquilo que os pais esperam que seja ensinado.”

Também Chris McGovern, Presidente da Campanha para a Educação Real, se veio juntar à mesma opinião de Phil, de acordo com o Metro,

“Estes planos de aula que foram publicados representam um ataque ignorante, insidioso e secreto sobre os valores familiares e sobre a antiga sabedoria dos contos de fadas. Isto é uma estratégia deliberada de separar laços que unem a nossa sociedade há anos e anos. Os contos de fadas, incluindo as versões feitas pela Disney, permitem às crianças a criação de um mundo que lhe faça sentido e que, por outro lado, lhes alertem para alguns perigos. Através das personagens às vezes estereotipadas, a Disney mostra a batalha do ódio e do amor, o bom e o mau ou a honestidade e o engano.”

Um próprio porta-voz da Disney veio afirmar que os filmes e as personagens criadas, há mais de 90 anos, pela Disney, sempre se mostraram universais e relevantes para todos, de todos os cantos do mundo. Não só crianças, mas também muitos adultos foram marcados, num momento ou outro, pelas personagens da Disney, que sempre foram amadas e acarinhadas pela sociedade.

Mas a saga não termina e também um porta-voz do próprio Departamento para a Educação diz que, embora a Internet seja um mundo sem-fim de informação, conta-se que os professora sejam capazes de decidir quais as informações relevantes a usar para que as suas lições sejam o mais educativas e adequadas possíveis.

O plano divulgado online já foi visualizado mais de 11.000 vezes e já foram feitos mais de 600 downloads.