O número de mortos devido à queda de um andaime numa central elétrica em obras, na China, aumentou para 74, avançou esta sexta-feira a imprensa oficial, no pior acidente laboral no país nos últimos dois anos.

O acidente ocorreu às 7h de quinta-feira (23h de quarta-feira em Lisboa), na cidade de Fengcheng, província de Jiangxi, e deixou ainda dois feridos, depois de tubos de ferro, barras de aço e pranchas de madeira colapsarem sobre os trabalhadores.

Uma equipa constituída por cerca de 500 bombeiros, polícias e paramilitares, participou nas operações de resgate, segundo a televisão estatal CCTV, que exibiu imagens de destroços amontoados junto a uma torre de cimento de 165 metros.

O Presidente chinês, Xi Jinping, apelou aos governos locais para que aprendam com o sucedido e punam os responsáveis.

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“Face à vaga recente de acidentes laborais, o conselho de Estado chinês deve realizar inspeções nos locais de trabalho, para reduzir riscos”, afirmou Xi.

Segundo dados oficiais, em 2015, a China registou 281.000 acidentes laborais, que causaram 66.182 mortos.

Organizações não-governamentais dizem que o número é maior, atendendo aos casos que permanecem encobertos.

Corrupção endémica, escassa fiscalização e pressão para estimular a produtividade, face ao abrandamento da economia chinesa, são as principais causas apontadas.

O acidente ocorreu no mesmo dia em que Yang Dongliang, antigo responsável pela Administração Estatal da Segurança no Trabalho, foi ouvido num tribunal em Pequim por alegadamente ter aceitado subornos no valor de 4,3 milhões de dólares, entre 2002 e o ano passado.

Yang foi afastado do cargo em agosto de 2015, após duas explosões num armazém no porto de Tianjin, norte do país, por causa do armazenamento ilegal de químicos, terem causado 173 mortos.

O responsável por uma empresa de logística foi recentemente punido com pena de morte suspensa no mesmo caso.

No início deste mês, 33 mineiros morreram devido a uma explosão numa mina de carvão em Chongqing, no sudoeste da China.

Em 2014, um acidente numa fábrica em Kunshan, na província de Jiangsu, na costa leste, deixou 146 mortos.

As autoridades estão a investigar o motivo da queda do andaime em Fengcheng.

Nas últimas três décadas, a economia chinesa cresceu em média quase 10% ao ano, mas as sucessivas tragédias são cada vez mais uma fonte de descontentamento popular.