Rádio Observador

Histórias Do Pop/rock

De José Afonso aos Anjos: sete canções de Natal em português

217

Nesta altura do ano não tem de ouvir apenas "aquela" canção "daquela" cantora americana. Também pode celebrar com canções portuguesas. Damos-lhe sete exemplos.

Getty Images

Autor
  • Pedro Paulos

Salvo raras exceções geograficamente abençoadas, o Natal português não é coberto de neve. Há chuva — e não é pouca — e há um pouco de frio também. Agora neve, só ali da Serra da Estrela para cima. Também é difícil para o Pai Natal descer a chaminé de um prédio e ainda mais difícil de encontrar renas por cá. Já quando falamos de músicas de Natal é inevitável lembrarmo-nos do “Natal dos Hospitais”, tão importante na televisão da quadra como a repetição anual de “Sozinho em Casa” ou da transmissão do Circo do Mónaco na véspera de Natal. Mas nisto das canções há um espólio rico feito de de cultura popular. Recordamos sete das mais simbólicas, perfeitas para a época do ano e em diferentes ambientes.

Coro Santo Amaro de Oeiras, “A Todos um Bom Natal”

Esta era inevitável, não? Daí estar logo no início. Provavelmente, o tema mais conhecido deste artigo e, com certeza, aquele que nos lembramos imediatamente quando pensamos em músicas de Natal que por cá inventámos. Caso não saiba, esta música nasceu com o Coro Santo Amaro de Oeiras, fundado em 1960 pelo Maestro César Batalha quando tinha apenas 15 anos. O Coro gravou vários discos mas há duas canções que o celebrizaram: “Eu Vi Um Sapo”, música interpretada por Maria Armanda e composta pelo maestro, cuja edição em single tem uma versão do coro no Lado B do single; e “A todos um Bom Natal”. Esta música também é muitas vezes cantada por claques de futebol dos clubes que estão na liderança para fazer pouco dos restantes. Coisas de festa.

Anjos & Susana, “Nesta Noite Branca”

A dupla dos irmãos Rosado iniciava a sua carreira nos Sétimo Céu, um grupo criado pelos irmãos Faria Gomes – queriam ter um grupo para poderem continuar a compor. Quando o quarteto terminou, Nuno e Sérgio Rosado decidiram criar o seu negócio de família. O primeiro disco, “Ficarei”, é lançado em 1999, e torna-se um sucesso. Tanto que acabam por fazer uma versão diferente, com um tema extra e uma convidada especial: Susana. Quem é a Susana? Bem, e se lhe dissermos que passado uns anos, sabe-se lá porquê, mudou o nome para Suzy? Sim, a Suzy que viria, em 2014, a representar Portugal na Eurovisão com “Eu Quero Ser Tua”. A canção “Nesta Noite Branca”, mesmo chegando mais tarde que as outras, viria a tornar-se numa das mais conhecidas da dupla.

José Afonso, “Natal dos Simples”

É um tema do primeiro disco de José Afonso para a Orfeu (“Cantares do Andarilho”, de 1968) e toda a gente o conhece por “Vamos cantar as janeiras”. Sim, as janeiras são coisa mais lá para o Dia de Reis, mas esta música é sobre o Natal dos mais pobres na Beira-Alta. O costume era o de cantar as Janeiras aos “grandes senhores”, era a única espécie de Natal que conheciam. A música ficou, tal como muitas de José Afonso, no imaginário coletivo dos portugueses.

Boss AC, “Carta ao Pai Natal”

A solidariedade faz parte do Natal. Ângelo César — isso, é daí que vem o AC depois do Boss –, aproveita a figura do Pai Natal para personificar todos os líderes mundiais, Deus e todos os restantes que poderiam resolver os problemas do mundo. É uma carta de alguém que nunca pediu nada ao Pai Natal e agora lembrou-se de pedir tudo de uma vez. Mas, claro, são coisas muito dignas e justas que estão ensanduichadas com algumas acusações de fraca memória — incluindo o pequeno pormenor de o destinatário da mensagem ser uma invenção da Coca-Cola. A carta aberta de Boss Ac ao Pai Natal é, no entanto, um bom exemplo de uma canção de Natal distinta, para aqueles que estão insatisfeitos com a situação das coisas. Mas, se calhar, o Pai Natal não tem a culpa disso.

Rui Veloso, “Presépio de Lata”

Se Boss AC envia uma inflamada carta aberta ao Pai Natal, Rui Veloso retrata um pouco da pobreza que o rapper pede a S. Nicolau para resolver. Rui Veloso dá-nos uma visão do Natal dos desprivilegiados, o Natal da realidade desfavorecida. Como diria o próprio no seu disco ao vivo O concerto acústico, “é uma música que fala do Natal, mas das crianças que não o têm”.

Vários Artistas, “Um Pedido de Natal”

“Mãe Querida” juntava Tony Carreira a Ágata, ao Luís Filipe Reis, à estreante Romana, ao Armando Gama, ao Tozé Morais e à Valentina Torres. A canção tornou-se um fenómeno em Portugal e ainda hoje é lembrada como o “We Are The World” das mães. Poucos se recordam que o sucesso desta música impulsionou toda uma vaga de canções que uniam estrelas da música popular portuguesa. Ainda em 1996, e na mesma editora, foi lançado o “Pai amigo, pai querido”. Até porque os pais também tinha direito a um hino. Os cantores eram outros, como o José Malhoa, a Ana Malhoa, o Graciano Saga ou Fernando Correia Marques. Durou tanto tempo o sucesso de “Mãe Querida” que, um ano depois, em 1997, no Natal dos Hospitais da RTP, pudemos assistir a várias tentativas de supergrupos de artistas da chamada “música pimba” de tentar repetir a dose. Provavelmente não se recorda desta música:

Luísa Sobral, “Canção de Natal”

Vamos avançar bastante no tempo até aos dias de hoje. Agora já temos muitos artistas, bandas, rádios e até marcas a fazerem músicas ou versões de Natal. David Fonseca, por exemplo, tem por hábito lançar versões de clássicos internacionais. Ainda não é uma moda mas pode ser que para lá caminha. Um bom exemplo? Luísa Sobral:

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros de órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)