Os automóveis desportivos produzidos em grande série, com cerca de 300 cv, tracção à frente e de aspecto similar às muitas versões menos potentes e mais acessíveis que por aí circulam, são um nicho de mercado em franco crescimento, de que todos os construtores querem um bocado. Assim não admira que, volta e meia, todos os modelos façam uma visita ao Inferno Verde, o reputado circuito alemão de Nürburgring, conhecido por ser tão difícil quanto traiçoeiro e onde é divertido conduzir. Mas onde também é fácil destruir qualquer tipo de carro. Se não acredita, veja este vídeo, um dos muitos que abundam por aí.

Destas visitas ao Nordschleife de Nürburgring, que desde 1927 assusta e delicia os condutores mais afoitos – e que todos os pilotos que ousam lá correr encaram como um desafio que impõe respeito –, resulta necessariamente um ranking, que por sua vez determina qual o desportivo mais rápido e eficaz.

E não se pense que estas sessões de treinos cronometrados são vistas como uma brincadeira, ou mero passatempo. Nada disso. São os próprios construtores que ali deslocam equipas completas de mecânicos e pilotos profissionais. E estes não têm de ser o Lewis Hamilton ou o Sébastien Ogier, tidos como os mais rápidos na F1 e no WRC, mas sim bons pilotos que, simultaneamente, sejam grandes especialistas no Nordschleife, pois é impossível ser rápido e não destruir o carro, sem conhecer todos os truques e ratoeiras do traçado.

Nos tempos mais recentes, ou seja, nos últimos dois anos, as hostilidades começaram por ser lideradas pelo Seat Leon Cupra 280 – a versão Leon Cupra ST, mas com 290 cv, ainda hoje é a carrinha de série mais veloz no circuito –, que estabeleceu uma volta em 7 minutos, 58 segundos e 44 centésimos. Isto suscitou a resposta da Renault, que avançou com o seu Mégane RS 275 Trophy R e elevou a fasquia para 7.54,36, colocando-se taco a taco com máquinas muito mais dispendiosas e possantes, como o Ferrari F430 ou o BMW M5, ambos com 7.55,00.

O reinado do Mégane RS não durou muito, pois assim que iniciou a comercialização, o Honda Civic Type R rumou à pista germânica. Rodou em 7.50,63, deixando atrás de si o Porsche Panamera Turbo S (7.52), o BMW M4 (7.52) e o Jaguar XKR-S (7.51).

E, como o que é bom não dura sempre, eis que na Primavera deste ano apareceu a VW com o seu Golf GTI Clubsport S, uma versão com o mesmo motor 2.0 Turbo a gasolina dos restantes GTI, mas aqui com 310 cv, concebida para comemorar os 40 anos do modelo mais vendido na Europa (de que só foram fabricadas 400 unidades, prontamente vendidas). Em jeito de prenda, o Golf GTI ofereceu 7.49,21 à concorrência, assumindo-se como o mais rápido entre os tracções à frente do mercado.

Mas como a concorrência é forte e não dorme, a VW decidiu que a melhor defesa é o ataque. E, vai daí, regressou ao Nordschleife. Com o mesmo carro e com o mesmo piloto, porque em equipa que ganha não se mexe. Só que, desta vez, com o tempo e a pista a temperaturas inferiores, não só o motor passou a debitar mais potência, como os pneus – que têm de ser os que equipam o carro de série – tiveram menos dificuldade em suportar os 20,81 km e as 154 curvas do circuito sem perder muita eficácia. Resultado: 7.47,19, o novo recorde na pista alemã para desportivos.

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