O presidente da Academia das Ciências de Lisboa defende que “a política é incompetente” para tomar decisões relativas à ortografia e está empenhado em apresentar uma proposta de revisão do Acordo Ortográfico já em 2017. Em entrevista ao jornal Público, Artur Anselmo afirma que “o normal é o respeito pelas ortografias nacionais” e critica o poder político pelas decisões tomadas neste campo.

“A Academia foi consultada em 1990 mas não foi consultada quando um ministro resolveu pô-lo em vigor”, queixa-se o presidente da instituição, que tem o estatuto legal de “órgão consultivo do Governo português em matéria linguística”. É por esse motivo que surge agora a iniciativa de revisão do acordo, algo que tem de ser encarado como “um problema científico”, defende Artur Anselmo. “Por mais que nós possamos negociar com forças políticas, sociais, sindicais, na base está a ciência.”

“O que vai ser apresentado é uma proposta no sentido de seguirmos a ordem alfabética de 1945”, explica o presidente da Academia das Ciências de Lisboa, que em janeiro publicará Subsídios para o aperfeiçoamento do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, com coordenação da lexicógrafa Ana Salgado, também responsável pelo novo Dicionário da Língua Portuguesa, cuja publicação está prevista para 2018.

O Acordo Ortográfico é “ambíguo, omisso e lacunar, não estabelecendo uma ortografia única e inequívoca, deixando várias possibilidades de interpretação em muitos casos, o que tem provocado alguma instabilidade ortográfica”, defende-se nesse texto, que também declara que “qualquer tentativa de uniformização ortográfica nos diversos países que usam a língua portuguesa como oficial é utópica.”