Até há poucos meses dificilmente conseguiria imaginar um estúdio como o Guerrila Games a conceptualizar um mundo aberto vívido e colorido, contrastando com Killzone, o shooter cinzento que lhes deu fama. Foi por esse mesmo motivo que, em 2015, a Sony surpreendeu o mundo ao apresentar algo totalmente diferente e acima de tudo, refrescante.

O Rubber Chicken teve oportunidade de rumar a Madrid a convite da PlayStation Portugal para experimentar Horizon Zero Dawn, o tão aguardado título que chega ao mercado já no próximo dia 1 de março, e o resultado foi o esperado. A fórmula dos jogos pós-apocalípticos, por norma, procura os cinzentos e castanhos como cores predominantes, mas Horizon – que tanto em estilo como conceito recorda imenso Enslaved Odyssey to the West– segue na direção oposta.

Em Horizon Zero Dawn, a civilização como a conhecemos morreu. Um gigantesco “apagão” deixou tudo às escuras, e com o tempo edifícios e monumentos começaram a ficar cobertos por vegetação, o que nos fez recuar a tempos primitivos. Esta mudança obrigou a civilização a mudar, a também ela tornar-se primitiva, utilizando os escombros metálicos para a construção de armas e utensílios. Mas algo estranho navega em nosso redor, algo que, dados os acontecimentos do passado, não deveria existir. Contrastando com os campos verdejantes encontram-se as máquinas, criaturas mecânicas que governam estas terras, imponentes seres de portes e figuras animalescas que guardam o segredo da cultura de outrora, a chave de tudo.

Os primeiros minutos de jogo representam uma fórmula vencedora no que toca à narrativa e algo que mais estúdios deveriam lembrar-se de fazer: criar uma ligação e empatia com o/a protagonista logo nos primeiros minutos. Recordo-me de sorrir durante a cutscene inicial, de ficar perplexo com o facto de algo tão simples conseguir ser tão maravilhoso, tão delicado: um homem de barba a andar por entre um mundo com uma bebé aos braços enquanto fala dos eventos passados e da ligação entre os dois, do elo que os liga, revelando ao mesmo tempo o elo que liga os jogadores a este mundo.

Desde aí vemos a relação parental entre Rost e claro, Aloy, a protagonista que iremos guiar ao longo desta aventura. Começamos por jogar e explorar o mundo com Aloy ainda em criança, (momento que me remeteu a Uncharted 3 e o jovem Nathan Drake). Vemos o porquê da sua curiosidade pelas máquinas que vagueiam os verdejantes planos, o porquê de possuir aptidões de caça, isto tudo enquanto vamos aprendendo todas as técnicas necessárias para sobreviver. O jogo progride e a protagonista chega à idade adulta, pronta para procurar o que tanto quer saber.

Não pretendo avançar muito no que toca a pormenores para não estragar a surpresa, mas estes primeiros minutos demonstram uma grande dedicação ao valor narrativo dos videojogos e um grande passo de evolução a Killzone, possivelmente fruto dos talentos que foram buscar a outros estúdios como a polaca CD Projeckt Red.

No que toca à jogabilidade, não poderia estar mais satisfeito com esta antevisão: o mundo de Horizon Zero Dawn é rico, repleto de recantos para explorar e paisagens para nos deliciarmos. Um momento que facilmente nos marca é a primeira vez que avistamos um Tallneck, uma máquina gigantesca que faz lembrar uma girafa, por entre a calma do vale. Foi um momento majestoso que podem ver num dos segmentos de gameplay que tive oportunidade de capturar, mas não foi o único. Desde galopar em cima de um Strider até ao erguer o arco para atacar um Watcher (outra criatura mecânica), tudo se interliga de forma coesa, concedendo assim um ambiente real dentro da irrealista fusão entre um mundo primitivo e “dinossauros” mecânicas gigantescos.

Os minutos de jogo que pudemos ter com Horizon Zero Dawn fazem-nos querer explorar mais, saber mais, fizeram-nos ver que aquilo que a Guerrila conseguiu criar não é uma miragem. Uma transição que se faz sentir entre os jogos futuristas de guerra que marcaram a história do estúdio. Esta mudança positiva abre novas portas para aquilo que esta equipa pode alcançar, pois aquilo que nos aguarda no início de março poderá ser um dos grandes jogos do ano.

André Henriques, Rubber Chicken