Não, este não é um smartphone topo de gama. Não, também não é dedicado exclusivamente à área multimédia. O Lenny3 Max é um smartphone para quem precisa de um companheiro resistente, barato e que não incomode o utilizador a pedir, constantemente, para ser carregado. Pode ser o ideal para ir passar um fim de semana fora a acampar ou, simplesmente, para quem costuma viajar e não quer perder tempo junto a uma tomada.

O design é agradável à vista e ao toque. Com um acabamento metálico no corpo e a frente com vidro curvo, este smartphone de 150 euros consegue passar por um aparelho mais caro. A capa traseira é removível para o utilizador conseguir colocar os dois cartões SIM e o cartão de memória, sem que seja preciso abdicar de um SIM. Este é um ponto que não é muito comum até porque, por norma, as marcas costumam fazer com que o utilizador tenha de abdicar de um cartão para poder aumentar a memória do smartphone. O facto de a capa traseira poder ser retirada não permite que a bateria seja removida.

Características técnicas

Não sendo um smartphone topo de gama, tanto pelo preço como pelas características, o Lenny3 Max vem equipado com um processador Quad Core 1,3GHz, Cortex-A7, tem um ecrã de cinco polegadas HD que se porta bem em dias mais soalheiros, e uma memória interna de 16GB. Para completar, vem equipado com uma memória RAM de 2GB.

O peso pode não agradar a muitas pessoas (177g) mas, para aguentar uma utilização constante, por mais de dois dias, a Wiko implementou uma bateria de 4.900 mAh bastante capaz.

Os acabamentos em metal dão um toque mais resistente e elegante ao Wiko Lenny3 Max.

A câmara traseira do Lenny3 Max tem oito megapixeis e a frontal cinco megapixeis. Possui auto focus e consegue gravar vídeos em 1080p a 25 frames por segundo.

Para um smartphone deste valor e com estas características técnicas, não deixou de surpreender o facto de já vir equipado com o Android 6.0 – Marshmallow.

O design robusto e mais grosso que a maioria dos smartphones atuais proporciona ao Lenny uma presença mais acentuada na mão, no entanto, também lhe confere uma maior resistência. Este é um smartphone que aguenta bem umas quantas quedas ou pancadas acidentais em móveis ou paredes.

Fomos passear com o Lenny

Vamos partir do início. Retirar a capa deste smartphone não é uma tarefa propriamente fácil. É preciso ter algum jeito para que a capa saia sem parecer que se vai partir. Dois cartões SIM colocados em conjunto com o cartão de memória e tudo pronto para arrancar.

O primeiro passo, que achámos necessário, foi retirar todo o bloatware – aplicações instaladas de origem pela marca – que não servem para mais nada a não ser reduzir o desempenho. Ironicamente, três funcionalidades disponíveis de origem servem para a mesma função: limpar e acelerar o smartphone.

Um dos ícones era apenas um atalho para executar a função de limpeza (o que está na pasta Tools, na imagem), os outros dois são apenas aplicações que não adiantam de muito pois, na verdade, vão apenas diminuir a performance do equipamento e reduzir a autonomia.

Já a aplicação Lanterna também foi desinstalada uma vez que essa funcionalidade está disponível, de origem, através da barra superior. Depois de retirar tudo o que não importa estava muito mais limpo que de inicio.

Na utilização normal do smartphone é possível notar alguma lentidão com aplicações que exigem um pouco mais de recursos, mas nada que afete o funcionamento a um nível preocupante.

O ecrã é competente, mesmo com o sol a incidir diretamente no visor, e consegue cores agradáveis. Para multimédia é uma experiência positiva mas longe de ser a melhor. Considerando a relação qualidade/preço, a Wiko conseguiu um bom resultado.

Se é exigente em relação ao som, este não é o smartphone mais indicado. A qualidade não é má e até consegue alcançar um volume bastante bom e sem grandes distorções, o maior problema é quando pousamos o smartphone em qualquer sítio. Como a coluna está colocada na parte de trás do smartphone, em baixo, ao pousar o equipamento o som fica abafado.

Uma visão agradável

Em relação às câmaras, encontrámos o 8 e o 80. Começando pela frontal: as selfies não conseguem uma qualidade digna de ser partilhada. As fotografias ficam com pouco contraste e, em ambientes sem luz natural, ganham muito ruído na imagem. A aplicação inclui alguns ajustes para melhorar o resultado final, como o modo de beleza e semelhantes, mas não é algo que recomendemos.

Já a câmara traseira do smartphone, aqui sim, a Wiko consegue alguns pontos positivos, pelo menos durante o dia. As cores são vivas e os contrastes definidos, o maior problema é ajustar a imagem ao ponto de conseguir uma boa paisagem com um céu azul bem visível, um problema que mesmo equipamentos mais caros têm dificuldades em corrigir.

Veja alguns exemplos de fotografias tiradas com o Lenny3 Max:

8 fotos

Durante a noite, os resultados ficam um pouco desfocados e com contrastes mais fracos. Apesar desse detalhe, as cores mantém-se boas.

O grande forte deste smartphone

A grande aposta da Wiko neste equipamento foi, sem qualquer dúvida, a bateria gigante que incorporaram no Lenny3 Max. Os 4.900 mAh chegam perfeitamente para garantir mais de dois dias de utilização moderada.

O equipamento esteve, durante os testes, sempre ligado à Internet (via Wi-Fi ou dados móveis) menos durante a noite. Em nenhuma das cargas efetuadas o smartphone aguentou menos de dois dias, sendo que a média foram três dias de trabalho. Geralmente, a bateria chegava aos 0% na noite do terceiro dia, dependendo sempre do tipo de utilização que dávamos ao equipamento. Um dia mais intenso podia impedir que a bateria chegasse à noite, mas pelo menos aguentava até ao final da tarde.

Na manhã do terceiro dia, com 30% de bateria, o sistema indicava que ainda aguentava aproximadamente 21h de utilização

É uma boa sensação sair de casa, no terceiro dia, olhar para o smartphone que indicava estar com 30% de carga e pensar “sim, ainda se aguenta até voltar a casa”. É pouco provável que, com este equipamento, tenha de voltar a andar com um powerbank na mala.

Com 4% de bateria, o smartphone ainda diz que consegue aguentar mais três horas ligado

Ao final do dia, apenas com 4%, era de ponderar se ele aguentava a noite toda, mas a própria estatística indicava que não seria possível. Neste caso especifico, era o fim do terceiro dia/início do quarto dia e a bateria ainda não tinha sido carregada.

Quase oito horas de ecrã ligado com uma simples carga

Um dos elementos que mais energia consome num smartphone é o ecrã. O Lenny3 Max consegue aguentar quase oito horas de ecrã ativo, mais do dobro do valor normal atingido por outros smartphones. No campo da energia, este é mesmo um topo de gama.

Teria sido simpático por parte da marca incluírem um sistema de carregamento rápido, uma vez que, com uma bateria tão grande, são precisas três boas horas para conseguir ir dos 0% aos 100% – dependendo sempre da utilização que o equipamento está a ter enquanto carrega.

Veredito

Depois de passarmos umas semanas a utilizar o Lenny3 Max, concluímos que seria um bom smartphone para três tipos de pessoas:

  • Alguém que esteja à procura de um primeiro smartphone;
  • Um utilizador que viaje durante vários dias com alguma frequência;
  • Alguém que apenas queria um smartphone para ver emails, fazer chamadas e navegar pela Internet, sem preocupações com a bateria.

Os utilizadores mais exigentes vão notar que o desempenho do smartphone não é muito bom, sente-se algum arrasto no sistema com tarefas que exijam mais do equipamento. Jogos é um campo para esquecer quase por completo. Os mais básicos, só para passar o tempo numa fila de espera, ainda conseguem aguentar-se bem, mas algo mais pesado já se torna um pesadelo para jogar.

Um smartphone elegante, resistente, mas nada recomendado para jogos. Por exemplo, o Pokémon Go, é suportado mas o arrasto no jogo torna-o quase impossível de utilizar.

O peso é algo que se estranha mas depois de umas horas já nem reparamos que este telemóvel tem um peso acima da média, mas este é um mal que vem por bem, uma vez que a grande responsável por esse excesso é a excelente bateria que vem incluída.

Com três dias, em média, de utilização com uma única carga, é difícil encontrar um concorrente direto dentro desta gama de preços. E eis que este é outro ponto positivo, com 150 euros, a Wiko apresentou um smartphone com um aspeto agradável à vista e ao toque, com câmaras que, não sendo de topo, produzem resultados bastante satisfatórios (em especial durante o dia) e que funciona com dois cartões SIM e um de memória em simultâneo. Está disponível em prateado, dourado, cinzento e verde.