A oposição venezuelana recusou nesta quinta-feira a proibição de manifestações decretada pelo Governo e avisou que, em resposta, ampliará o protesto previsto para sexta-feira, passando de uma “tomada de Caracas” para uma “tomada da Venezuela”. “O regime anunciou que ninguém se poderá manifestar até terça-feira. Respondemos com uma toma da Venezuela, amanhã”, anunciou, através do Twitter, Freddy Guevara, deputado e vice-presidente do parlamento.

Segundo o porta-voz da aliança Mesa de Unidade Democrática (MUD), a oposição anunciará, ainda hoje, pormenores do que será a expansão do protesto contra a Assembleia Constituinte decretada pelo Presidente Nicolás Maduro, que terá lugar a partir das 06:00 horas locais (11:30 horas em Lisboa).

“A ditadura diz que não nos podemos manifestar a partir de amanhã (sexta-feira). Então, amanhã já não será uma tomada de Caracas, mas sim uma tomada de toda a Venezuela”, sublinhou. O Governo venezuelano proibiu hoje a realização de manifestações a partir de sexta-feira e advertiu que haverá penas de prisão de cinco a dez anos para quem perturbe as eleições da Assembleia Constituinte, agendadas para domingo.

“Proíbe-se, em todo o território nacional, as reuniões e manifestações públicas, concentrações de pessoas e qualquer outro ato similar que possa perturbar ou afetar o normal desenvolvimento do processo eleitoral”, anunciou o ministro venezuelano do Interior e Justiça, Néstor Reverol, através da televisão estatal venezuelana. Segundo o ministro, “quem organizar ou instigue à realização de atividades dirigidas a perturbar a organização e funcionamento do serviço eleitoral ou da vida social do país será penalizado com prisão de cinco a dez anos”.

Na Venezuela, as manifestações a favor e contra o Presidente Nicolás Maduro intensificaram-se desde 01 de abril último, depois de o Supremo Tribunal de Justiça divulgar duas sentenças que limitavam a imunidade parlamentar e em que aquele organismo assumia as funções do parlamento.

Entre queixas sobre o aumento da repressão, os opositores manifestam-se ainda contra a convocatória de uma Assembleia Constituinte, feita a 01 de maio último pelo Presidente Nicolás Maduro, com o intuito de modificar a Constituição. A oposição insiste que a Constituinte acabará com os restos de democracia que existem no país e que será usada pelo Governo para se submeter aos interesses cubanos e avançar com um regime comunista ao estilo de Cuba. Pelo menos 103 pessoas morreram, desde abril, no âmbito dos protestos.