A Coreia do Sul pode estar a treinar uma unidade de eliminação da liderança norte-coreana em resposta aos últimos movimentos militares levados a cabo pela Coreia do Norte. O regime de Kim Jong-un fez sobrevoar um míssil sobre o Japão em agosto e, mais recentemente, conduziu o seu sexto – e mais poderoso – ensaio nuclear nas montanhas de Punggye-ri. Um dia depois, o ministro da defesa sul-coreano, Song Young-moo, disse aos deputados que uma “brigada de forças especiais”, descrita como “brigada de decapitação” estava a ser treinada para estar operacional até ao fim do ano.
Não se trata de uma ameaça direta à Coreia do Norte e a Kim Jong-un mas a reação é clara: as ameaças e exercícios de Pyongyang vão receber uma resposta dura de Seul, apesar de o presidente Moon Jae-in ter sido eleito (em maio) com uma campanha de promessas de diálogo com Kim Jong-un e de promessas de paz unificadora na península.
Também não é a primeira vez que a Coreia do Sul faz algo do género. Nos anos 60, depois de uma tentativa da Coreia do Norte de tomar o palácio presidencial em Seul, as forças armadas sul-coreanas treinaram reclusos e marginais para assassinar o então líder Kim Il-sung. A missão foi abortada e a coisa correu mal para Seul. Os homens treinados voltaram à Coreia do Sul e assassinaram os altos cargos do exército antes de se fazerem explodir.
Adotar de novo esta tática pode ser a única resposta na manga do presidente, Moon Jae-in, já que o mesmo recusa desenvolver um programa de armas nucleares no país. Nem todos concordam com a política de Jae-in de manter a Coreia do Sul um estado sem poder nuclear e levanta-se a questão: como pode um país sem armamento nuclear fazer frente a um ditador com armamento nuclear?
Para Shin Won-sik, um general do exército sul-coreano que falou ao New York Times, “a melhor estratégia que podemos ter, além de armas nucleares, é fazer Kim Jong-un temer pela sua vida”.
Ao mesmo tempo, o plano pode ter influência (ou, no mínimo, conhecimento) dos Estados Unidos, atualmente o mais poderoso aliado da Coreia do Sul – e alvo constante das ameaças norte-coreanas. Apesar de o secretário de estado norte-americano Tillerson ter negado a intenção de mudar a liderança do regime, os sul-coreanos avançam com um reforço das forças armadas.
I am allowing Japan & South Korea to buy a substantially increased amount of highly sophisticated military equipment from the United States.
— Donald J. Trump (@realDonaldTrump) September 5, 2017
Contrariamente à posição de Tillerson, o presidente norte-americano Donald Trump fez também ser que levantará limites para permitir que a Coreia do Sul e o Japão tenham acesso facilitado a armamento norte-americano.
A União Europeia e as Nações Unidas preparam novas e agravadas sanções a Pyongyang após o ensaio nuclear no início do mês. Putin alerta para o potencial catastrófico de uma intervenção militar, mas à semelhança de Angela Merkel, procura uma solução pacífica. Da parte de Pyongyang apenas uma coisa é certa: o programa nuclear avança e os mísseis estão prontos a ser usados.


Não queremos ser todos iguais, pois não?
Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.
Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.
Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?
Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.
Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.