Mais de 150 mil crianças refugiadas rohingyas com menos de cinco anos, no Bangladesh, estão “severamente desnutridas”, anunciou esta sexta-feira a Care Internacional, uma organização não governamental (ONG), em comunicado.

“A situação destas crianças é desesperante, muitas não comem mais do que uma refeição por dia durante semanas”, disse Zia Choudhury, da direção da Care Internacional, referindo que outra das maiores preocupações é que “as crianças possam ficar doentes”.

A organização chamou também a atenção para a falta de condições nos campos improvisados de Kutupalong e Balukhali, em Cox’s Bazar, uma província do Sudeste.

Existe apenas uma casa de banho para cada 2.000 pessoas e, deste modo, as crianças que estão gravemente desnutridas e vivem em condições difíceis, estão sujeitas a infeções”, explica a Care.

Zia Choudhury acrescentou que, embora exista alguma ajuda, a maioria dos refugiados tem ainda uma “necessidade desesperada” de água potável, alimentos nutritivos e cuidados médicos.

Cerca de 500.000 rohingyas fugiram para o vizinho Bangladesh desde finais de agosto, para tentar escapar a uma campanha de repressão do exército mianmarense após ataques da rebelião jovem rohingya, segundo dados da ONU.

As Nações Unidas consideram que o exército mianmarense e milícias budistas estão envolvidos numa limpeza étnica contra esta minoria muçulmana concentrada no estado de Rakine (anteriormente Arakan) no oeste da ex-Birmânia, uma região historicamente conturbada.

Estima-se que os rohingyas – uma minoria étnica não reconhecida pelas autoridades mianmarenses – sejam cerca de um milhão.