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Offshores

Paradise Papers. Nova investigação expõe políticos, celebridades e até a rainha de Inglaterra

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Uma nova investigação, levada a cabo pelo mesmo consórcio que revelou os Panama Papers, expõe o secretário do Comércio de Trump, políticos, celebridades e até a rainha de Inglaterra.

Chris Jackson/Getty Images

Uma nova investigação, conduzida pelo mesmo consórcio que nos trouxe os Panama Papers, revela os paraísos fiscais dos ricos e famosos. A fuga de informação — já batizada de Paradise Papers — envolve mais de 13 milhões de ficheiros e expõe figuras tão importantes como Isabel II, a rainha de Inglaterra, mas também as ligações entre a Rússia e o secretário do Comércio dos Estados Unidos.

Em causa estão também os negócios de Stephen Bronfman, que desempenhou um importantíssimo papel na ascensão do primeiro-ministro canadiano. Bronfman, que é o responsável pela angariação de fundos de Justin Trudeau, bem como seu conselheiro, esteve envolvido na movimentação de milhões de dólares para paraísos fiscais, escreve o The Guardian, para assim evitar pagar impostos no Canadá, nos Estados Unidos e em Israel.

A vastíssima investigação abarca mais de 120 políticos no mundo inteiro e chega também às grandes multinacionais como a Apple, a Nike e a Uber. Entre as celebridades expostas na investigação está o cantor Bono e Madonna.

As fugas de informação têm origem em duas operadores de serviços offshore — uma baseada nas Bermudas e a outra em Singapura –, bem como em 19 registos comerciais, e foram obtidas pelo jornal alemão “Süddeutsche Zeitung”, que as partilhou com o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação, do qual fazem parte quase 400 jornalistas em 67 países, incluindo o jornal Expresso.

Rainha Isabel II investiu 11,3 milhões nas Ilhas Caimão

Segundo a BBC, mais de 11 milhões de euros do património privado de Isabel II foram investidos num fundo nas Ilhas Caimão. A divulgação de vários documentos revela, pela primeira vez, como a rainha de Inglaterra, através do Ducado de Lancaster, detém investimentos através de fundos que alocaram dinheiro em diferentes negócios, incluindo empresas médicas e de crédito ao consumo. Na lista está a BrightHouse, a maior retalhista do Reino Unido, que tem sido criticada por explorar milhares de famílias pobres e pessoas vulneráveis.

O ducado disse não ter conhecimento do investimento na BrightHouse até ser contactado pelo The Guardian e revelou alguns investimentos feitos “em fundos estrangeiros”, um deles na Irlanda. O Ducado de Lancaster atribui um vencimento mensal à rainha e trata dos seus investimentos financeiros.

Segundo a investigação, a rainha Isabel II investiu 11,3 milhões nas Ilhas Caimão. Aaron McCracken/Harrison Photography via Getty Images

As ligações entre a Rússia e o secretário do Comércio dos Estados Unidos

A investigação mostra que o secretário do Comércio norte-americano, Wilbur Ross, tem ligações comerciais com aliados russos do presidente Vladimir Putin. Ross serviu-se de uma cadeia de investimentos offshore nas Ilhas Caimão para manter uma participação na Navigator Holdgins, que faz milhões por ano a transportar petróleo e gás para a empresa de energia russa Sibur.

A empresa de transporte marítimo é detida pelo genro de Vladimir Putin, Kirill Shamalov, bem como por outros nomes que já foram alvo de sanções por parte do Estado norte-americano. O secretário do Comércio, bilionário e amigo próximo do presidente norte-americano, manteve participações na Navigator Holdings mesmo depois de entrar para a Administração de Trump.

Os registos divulgados pela investigação que precede os muito polémicos Panama Papers mostram que a Navigator reforçou as suas relações com a russa Sibur a partir de 2014, depois de os Estados Unidos da América e a União Europeia terem imposto sanções aos russos. Também desde 2014, a empresa Navigator recolheu 68 milhões de dólares (quase 60 milhões de euros) em receita através da sua parceria com a Sibur.

Wilbur Ross à esquerda de Donald Trump. Alex Wong/Getty Images

Os homens ricos no círculo íntimo de Trump associados a paraísos fiscais

Donald Trump está rodeado de indivíduos ricos associados a paraísos fiscais, incluindo Gary Cohn, o principal assessor económico do presidente, Rex Tillerson, atual secretário de Estados dos EUA, Steven Mnuchin, secretário do Tesouro, e Jon Huntsman, o novo embaixador dos EUA na Rússia.

De recordar que ter uma sociedade offshore é legal desde que a informação seja transmitida às autoridades fiscais e sujeita a uma taxa — depende muito do país de origem — como já escrevemos no Observador.

A agência Lusa acrescenta que no ano passado, oito por cento dos rendimentos da Navigator Holdings, de que Ross detém uma parte, tiveram origem em remessas de gás da Sibur, empresa que já foi detida em 20 por cento pelo genro de Putin.

Ainda de acordo com a Lusa, um porta-voz do departamento de Comércio afirmou que Ross apenas entrou para a administração da Navigator depois de terem começado as remessas da Sibur e que o governante norte-americano se rege pelos “mais elevados padrões éticos”.

Rex Tillerson é o atual secretário de Estados dos EUA. Spencer Platt/Getty Images

Twitter e Facebook receberam mais de mil milhões de euros da Rússia

Duas empresas estatais russas investiram mais de mil milhões de euros nas redes sociais Twitter e Facebook. Os investimentos foram feitos por Yuri Milner, magnata da tecnologia russo, que tem ações numa empresa de Jared Kushner, genro de Donald Trump.

Alexander Vershbow, que foi embaixador dos EUA na Rússia na década de 1980, disse ao The Guardian que as instituições que fizeram os movimentos de dinheiro eram frequentemente usadas como “ferramentas para projetos políticos de Putin”. O diplomata afirma ainda que a confirmação destes investimentos mostram os esforços de Moscovo para destabilizar os EUA.

O Facebook e o Twitter não foram informados de que os investimentos de mil milhões de dólares (861 milhões de euros, aproximadamente) e de 191 milhões de dólares (164 milhões de euros) provinham do banco russo VTB e da empresa de gás Gazprom.

EPA/RITCHIE B. TONGO

Bono e Madonna entre as celebridades na investigação Paradise Papers

Madonna é uma das grandes revelações destes milhões de documentos que foram analisados pelo consórcio internacional de jornalistas de investigação. A cantora, que está atualmente a residir em Portugal graças ao benefícios fiscais do nosso país para estrangeiros, tem ações suspeitas numa empresa de produtos médicos que cujo nome ainda não foi divulgado.

Já cantor dos U2 Bono Vox, foi identificado nos documentos pelo nome verdadeiro, Paul Hewson, sendo que terá ocultado a profissão nos respetivos documentos. Segundo o Expresso, o ativista social tem ações numa empresa em Malta, apelidada de Nude Estates, que investiu na compra de um centro comercial na Lituânia em 2007. Uma porta-voz do cantor assumiu a ligação, dizendo que este era um “investidor passivo e minoritário”.

O cantor, segundo conta o The Guardian, nunca esteve na Lituânia. A compra do centro comercial custou 5,8 milhões de euros. O centro comercial foi transferido em 2012 para uma empresa britânica chamada de Nude Estates 1. Segundo a mesma porta-voz, Bono terá em 2015 acabado as relações com a empresa Maltesa, depois desta ter acabado. Em Malta o imposto sobre o lucro de empresas de estrangeiros é de apenas 5%.

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