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Os negócios e as guerras de Isabel dos Santos em Portugal

Este artigo tem mais de 4 anos

Ganhou força nas empresas portuguesas com a fraqueza da economia. Isabel dos Santos entrou e saiu do BPI, é parceira da Sonae na NOS e dona da Efacec. O ativo mais valioso é a Galp, mas não manda.

Isabel dos Santos numa reunião de acionistas da Zon, ao lado de Mário Leite da Silva, o seu braço-direito para os negócios em Portugal
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Isabel dos Santos numa reunião de acionistas da Zon, ao lado de Mário Leite da Silva, o seu braço-direito para os negócios em Portugal

TIAGO PETINGA/LUSA

Isabel dos Santos numa reunião de acionistas da Zon, ao lado de Mário Leite da Silva, o seu braço-direito para os negócios em Portugal

TIAGO PETINGA/LUSA

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Isabel dos Santos começa a aparecer em força na imprensa portuguesa no final da década passada como o novo rosto da vaga de investimento angolano em Portugal, ao lado da Sonangol, a petrolífera estatal que liderou durante menos de um ano e meio e de onde foi afastada esta quarta-feira pelo novo Presidente, João Lourenço.

A filha do então Presidente José Eduardo dos Santos já tinha alguns negócios em Angola, mas foram os anos da crise em Portugal que criaram as oportunidades de negócio que viriam a colocar Isabel dos Santos no capital de grandes empresas portuguesas, com poder para fazer e desfazer estratégias e operações. De uma maneira geral, os seus investimentos foram bem recebidos num país que precisava de investidores estrangeiros e que os encontrou nos anos agudos da crise em geografias alternativas, sobretudo Angola e China.

Alguns dos seus projetos começaram em alianças com empresários e companhias portuguesas. Um dos primeiros foi a operadora móvel Unitel, lançada na viragem do milénio com o apoio acionista e tecnológico da Portugal Telecom.

Agora é oficial. Isabel dos Santos exonerada da Sonangol pelo Presidente da República de Angola

A parceria com Amorim e Sonangol na Galp

O ativo mais valioso de Isabel dos Santos em Portugal, e provavelmente o mais antigo, resulta de uma aliança com o homem que era então o mais rico de Portugal. Em 2006, Américo Amorim — que morreu este ano — lança-se no maior negócio da sua vida ao comprar 33,34% da Galp Energia.

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O investimento de cerca de 1,7 mil milhões de euros é financiado pelo Santander, um esforço que é mais tarde partilhado com parceiros angolanos. Sonangol e Isabel dos Santos entram na Amorim Energia, onde controlam 45% do capital da empresa que é a maior acionista da Galp. Os investidores angolanos, anos mais tarde, ainda tentaram fintar Amorim e entrar diretamente no capital da petrolífera portuguesa. A aliança com Américo Amorim tremeu, mas não caiu. E ficou tudo na mesma.

Apesar de estar afastada da gestão da petrolífera, Isabel dos Santos não se poderá queixar do investimento na Galp. A participação acionista angolana na Amorim Energia vale, a preços de mercado, cerca de dois mil milhões de euros. E, todos os anos, a Galp paga centenas de milhões de euros em dividendos. Não se sabe exatamente qual a fatia da empresária angolana neste negócio, já que a empresa onde é acionista, a Esperaza, é liderada pela Sonangol, empresa da qual Isabel dos Santos foi exonerada. Mas com a Galp, a ZON e a Efacec, os investimentos de Isabel dos Santos em ativos portugueses ultrapassam os mil milhões de euros.

Oportunidades na banca e telecom e crédito nos bancos nacionais

No final de 2008, as bolsas e os bancos estavam a viver as ondas de choque da falência do Lehman Brothers. Em Angola, porém, a banca comercial privada estava em ebulição. Há muitos investimentos e um crescimento acelerado, mas os protagonistas são grupos portugueses. As autoridades lançam então o processo de angolanização da banca, que passou pela passagem do controlo dos bancos para mãos nacionais. Isabel dos Santos adquire 49,9% do Banco de Fomento Angola (BFA) ao Banco Português de Investimento (BPI). Pouco tempo depois, a empresária angolana avança para o próprio BPI com a compra de quase 10% do capital.

Isabel dos Santos pagou um prémio substancial face à cotação das ações do BPI, que correspondeu a 164 milhões de euros. Do outro lado desta transação estava o BCP, que se livrava das ações no banco rival, uma herança incómoda da oferta pública de venda falhada do ano anterior. Ao mesmo tempo que vendia, o BCP emprestou dinheiro ao comprador. O empréstimo de 143,9 milhões de euros foi concedido à Santoro, holding criada por Isabel dos Santos em Portugal para desenvolver os negócios da banca. A operação fez-se quando o Millennium BCP era liderado por Carlos Santos Ferreira, Armando Vara era administrador e a também angolana Sonangol era já uma das principais acionistas, com cerca de 10%.

Quando os brasileiros do Itaú vendem o BPI em 2012, Isabel dos Santos reforça a posição para 20% e torna-se a segunda maior acionista, a seguir ao CaixaBank. Também por esta altura, o BIC — banco angolano, atual Euro BIC — compra ao Estado o Banco Português de Negócios (BPN). O BIC paga 40 milhões de euros e consegue deixar do lado do vendedor os créditos mais problemáticos, ditos tóxicos, numa herança que ainda está a ser paga pelos contribuintes portugueses. Isabel dos Santos é uma das maiores acionistas do BIC, sobretudo depois de adquirir uma parte dos 25% detidos por Américo Amorim em 2014.

Com a crise a avançar sobre a economia portuguesa, Angola ganha terreno como parceiro económico de Portugal, que passou a ser um destino relevante para as exportações e um mercado lucrativo para os bancos portugueses que perdiam dinheiro dentro de portas. E nenhum banco ganhou mais dinheiro em Angola do que o BPI.

Em 2009, a empresária vira-se para a Zon, comprando uma participação de 10% no capital desta operadora a vários operadores, um investimento inicial de 160 milhões de euros que foi, uma vez mais, financiado por um banco português que estava vendedor, neste caso a Caixa Geral de Depósitos. Em 2012, o banco do Estado acabou por vender toda a participação a Isabel dos Santos, cumprindo o programa de desinvestimento imposto pela troika.

A entrada no BPI e, mais tarde, na Zon, deu visibilidade à filha do então Presidente angolano, sobretudo numa altura em que os investidores portugueses, endividados e sem capital, tiveram de ceder posições importantes em grandes empresas. Isabel dos Santos foi várias vezes apontada como uma das maiores investidoras estrangeiras em Portugal e, a par da Sonangol, como a grande pivô da estratégia de internacionalização dos grupos angolanos, que fez do mercado português o alvo de eleição.

A Zon e Sonaecom anunciam uma fusão em 2010, criando uma operadora com massa crítica para disputar a liderança do mercado à então todo-poderosa Portugal Telecom. Nasce a NOS, a segunda maior operadora de telecomunicações, onde Isabel dos Santos partilha o poder com o grupo de Paulo Azevedo, através da holding ZOPT, ainda que a gestão executiva esteja mais nas mãos da Sonae. Tal como no BPI, também na NOS, a presença acionista de Isabel dos Santos fica-se em regra por administradores não executivos.

Mário Leite da Silva tem sido apontado como o principal homem de confiança da empresária em Portugal. Foi administrador do BPI e está nos conselhos da NOS, da Efacec, da Esperaza (acionista da Galp). Leite da Silva é também administrador de empresas em Angola como a Comangola (cimenteira) e o BFA. Antes de trabalhar nos negócios de Isabel dos Santos, o gestor foi diretor financeiro do Grupo Amorim.

Guerras nas telecomunicações e na banca

O “namoro” com a Sonae chegou a alimentar o projeto para uma parceria na área da distribuição em Angola, mas Isabel dos Santos acabou por avançar sozinha com a marca de grandes superfícies, com a Sonae a afastar-se da operação depois de ter perdido alguns quadros para a empresária angolana. As relações esfriam.

Nas telecom, apesar de ser acionista da NOS, a empresária angolana está atenta à crise da maior empresa do setor. Em 2014, a PT está fragilizada por causa da exposição ao banco e ao grupo Espírito Santo e por uma fusão com a brasileira Oi que estava a correr mal. E quando a Oi procura comprador para a PT Portugal, Isabel dos Santos tenta um raide sobre a PT, com o lançamento de uma oferta pública de aquisição (OPA) no final de 2014.

O negócio não foi para a frente. Fala-se numa OPA oportunista que teria como principal objetivo obrigar a PT e a Oi a negociarem uma solução para o conflito acionista na angolana Unitel, que, por ordem de Isabel dos Santos, suspendeu o pagamento de dividendos à acionista portuguesa.

Em 2015, a empresária angolana entra num novo braço-de-ferro. Quebra-se o equilíbrio na relação acionista do BPI quando o CaixaBank, cansado de investir e de ser uma figura menor na gestão do BPI, lança uma OPA sem avisar a parceira angolana.

Isabel dos Santos, que com os seus quase 20% de capital manda tanto como o banco catalão, que tem mais de 40%, bate o pé a esta OPA. Chumba a mudança de estatutos do BPI, que limitava os direitos de voto a 20%, condenando a oferta ao fracasso. Na guerra com o CaixaBank ainda acena com uma fusão entre BPI e BCP, apoiada no facto de neste lado estar outro acionista angolano de referência, a Sonangol, mas esta alternativa não tem pernas para andar.

Isabel dos Santos. A estratégia, o feitio e os amigos da Nova Dona Disto Tudo

Apesar do impasse no BPI, a filha do então presidente angolano torna-se uma estrela mundial quando a Forbes a coloca no topo da lista das mulheres mais ricas de África. Mas se o dinheiro da filha do presidente angolano é bem recebido nas empresas portuguesas onde investe, nem toda a atenção internacional é lisonjeira. Há artigos de fundo de jornais de referência que questionam as origens da sua fortuna e o quanto deve como empresária ao favoritismo dado pelo pai nos negócios do Estado angolano.

Como pano de fundo da guerra entre Isabel dos Santos e o banco catalão está a imposição que o Banco Central Europeu fez ao BPI: ou reduz a exposição ao mercado angolano, onde está através do BFA, ou reforça os capitais para um nível insuportável. O CaixaBank quer o BPI e Isabel dos Santos quer o controlo do BFA. O acordo acaba por acontecer, mas não sem vários recuos e dramas pelo meio e uma intervenção providencial do governo de António Costa que aprovou o chamado decreto BPI.

Isabel dos Santos sai do banco português, mas garante o controlo do lucrativo BFA e ganha dinheiro quando vende a sua posição ao CaixaBank.

O “nou” BPI. O que vai mudar no banco com o domínio catalão

Efacec, o último negócio

Em 2015, no meio das guerras do BPI, a empresária fecha aquele que foi o seu último negócio em Portugal. Compra por cerca de 200 milhões de euros os negócios de energia do Grupo Efacec, a Efacec Power Solutions, aos acionistas portugueses Grupo José de Mello e Têxteis Manuel Gonçalves (TMG).

O negócio é anunciado numa altura em que o grupo está na lista dos grandes devedores problemáticos da Caixa e chega a apresentar situações de incumprimento. A venda a Isabel dos Santos é também uma operação de reestruturação financeira da Efacec que terá resolvido, pelo menos em parte, os problemas mais graves da empresa. Esta aquisição levantou perguntas na Comissão Europeia a Portugal sobre o cumprimento das regras de controlo e branqueamento de capitais, em resposta a uma iniciativa da eurodeputada socialista, Ana Gomes, que foi das poucas figuras públicas em Portugal a questionar os negócios de Isabel dos Santos. Não se conhecem investigações judiciais que envolvam estas operações.

Comissão Europeia questiona Portugal sobre compra da Efacec por Isabel dos Santos

.Com a nomeação para a presidência da Sonangol, em junho do ano passado, Isabel dos Santos abandona os cargos de administradora não executiva que tinha nas empresas portuguesas onde é acionista para evitar potenciais conflitos de interesse. Os investimentos mantêm-se.

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