O Presidente angolano, João Lourenço, exonerou Isabel dos Santos, filha do anterior chefe do Estado, José Eduardo dos Santos, do cargo de presidente do conselho de administração da Sonangol, nomeando para o seu lugar Carlos Saturnino, que deixou o cargo de secretário de Estado dos Petróleos para assumir a petrolífera nacional.

A informação foi confirmada à Lusa pela Casa Civil do Presidente da República, dando conta ainda da exoneração de Carlos Saturnino do cargo de secretário de Estado dos Petróleos, para ocupar a liderança da petrolífera estatal.

[Veja no vídeo quem são os três filhos de José Eduardo dos Santos que perderam poder no mesmo dia]

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A exoneração acontece duas semanas depois de a RTP ter anunciado a saída de Isabel dos Santos da petrolífera pública angolana. Uma notícia que foi prontamente desmentida quer pela filha de José Eduardo dos Santos quer pelo novo governo angolano.

Os despachos de exoneração assinados por João Lourenço destituíram da Sonangol não só Isabel dos Santos, como também Eunice Paula Figueiredo Carvalho, do cargo de Administradora Executiva; Edson de Brito Rodrigues dos Santos, do cargo de Administrador Executivo; Manuel Lino Carvalho Lemos, do cargo de Administrador Executivo; João Pedro de Freitas Saraiva dos Santos, do cargo de Administrador Executivo; José Gime, do cargo de Administrador Não Executivo; André Lelo, do cargo de Administrador Não Executivo; e Sarju Raikundalia, do cargo de Administrador Não Executivo. Apenas dois foram reconduzidos nos cargos: José Gime e André Lelo.

A informação foi confirmada no site da presidência angolana.

Carlos Saturnino tem um passado com Isabel dos Santos. O novo presidente da Sonangol tinha sido demitido pela filha de José Eduardo dos Santos da presidência da Comissão Executiva da Sonangol Pesquisa & Produção, em dezembro do ano passado. Isabel dos Santos acusava a Sonangol Pesquisa & Produção de ser débil e de apresentar muitos desvios financeiros. Saturnino não gostou e reagiu acusando a filha do então presidente de falta de ética.

Por isso foi muito noticiada a nomeação de Carlos Saturnino para o governo de João Lourenço. Ainda para mais, Saturnino foi escolhido para dirigir a secretaria de Estado dos Petróleos, órgão que tutela a Sonangol. Agora, pouco tempo depois, confirma-se a exoneração da filha do ex-presidente de Angola que acaba substituída no cargo pelo homem que despediu.

Isabel dos Santos soube da sua demissão pelo próprio presidente João Lourenço na noite de terça-feira, véspera da decisão ser tornada oficial. E partiu logo depois para Londres. Os restantes administradores só tomaram conhecimento das saídas na manhã de quarta-feira, quando já tinham sido destituídos.

A saída de Isabel dos Santos é oficializada depois de serem conhecidas quebras significativas nas receitas fiscais geradas pela petrolífera com a exportação de crude a reduzira em mais de 30 por cento entre setembro e outubro, para 70,7 mil milhões de kwanzas (361 milhões de euros).

Nova administração já é conhecida

Ao mesmo tempo que proferia o despacho de exoneração, João Lourenço assinou o despacho de nomeação da nova administração da empresa petrolífera angolana. Ainda segundo o Club-K, é a seguinte a nova administração da Sonangol: Carlos Saturnino Oliveira – Presidente do Conselho de Administração; Sebastião Pai Querido Gaspar Martins- Administrador Executivo; Luís Ferreira do Nascimento José Maria- Administrador Executivo; Carlos Eduardo Ferraz de Carvalho Pinto- Administrador Executivo; Rosário Fernando Isaac- Administrador Executivo; Baltazar Agostinho Gonçalves Miguel – Administrador Executivo; Alice Marisa Leão Sopas Pinto da Cruz- Administradora Executiva; José Gime-Administrador Não Executivo; e André Lelo- Administrador Não Executivo.

Isabel dos Santos foi nomeada para a presidência da Sonangol em 2016, com a missão de levar a cabo a reestruturação da petrolífera. A maior empresa angolana enfrentava dificuldades financeiras por causa da queda dos preços do petróleo, mas também por decisões de investimento com perdas, como o caso do BCP, e ainda falhas ao nível de gestão e contabilidade.

Negócios em Portugal. Saiu do BPI, mas está nas telecom, indústria e energia

A filha do ex-presidente angolano chegou à liderança da Sonangol com uma carreira de empresária feita no próprio pais, mas também em Portugal onde Isabel dos Santos entrou diretamente em 2008 através da compra de uma participação no BPI. Seguiu-se a ZON, que mais tarde veio a dar origem à NOS, a segunda maior operadora de telecomunicações portuguesa, onde Isabel dos Santos tem cerca de metade do capital.

A empresária angolana já não está na banca portuguesa, vendeu a posição no BPI ao CaixaBank, em troca do controlo do Banco do Fomento Angola, e com a saída da Sonangol deixa de estar em posição de influenciar o BCP onde a petrolífera angolana é a segunda maior acionista. Mas Portugal ainda é um mercado muito importante para Isabel dos Santos, sobretudo agora que a família do ex-presidente angolano está a perder força na economia de Angola.

A empresária é acionista de referência do antigo BIC Portugal (atual EuroBic), dona da Efacec, último negócio que fechou em Portugal no ano passado, e acionista indireta da Galp, através da Amorim Energia onde está representada em associação com a Sonangol.

Irmãos de Isabel dos Santos retirados da televisão pública

João Lourenço, presidente angolano, também ordenou ao Ministério da Comunicação Social que os dois filhos de José Eduardo dos Santos fossem retirados na gestão do segundo canal da Televisão Pública de Angola (TPA). Tchizé e José Paulino dos Santos geriam o canal de televisão pública através da Semba Comunicação. A informação do afastamento dos dois filhos do ex-presidente de Angola já foi confirmada pelo Ministério da Comunicação Social, que anunciou a quebra de contrato com a Semba Comunicação: “No cumprimento das orientações do Presidente da República, cessam a partir desta data todos os contratos entre o ministério em questão, a TPA e as empresas privadas Westside e Semba Comunicação”, diz o comunicado.

João Melo, o novo ministro da Comunicação Social, diz que o canal passam a ser a “retornar ou passar para a esfera jurídica da TPA”.