O antigo primeiro-ministro britânico Tony Blair confirmou este domingo, em entrevista à Radio 4 da BBC, que espera que o processo do Brexit seja revertido. “É exatamente isso”, respondeu, quando lhe perguntaram diretamente se é isso que pretende, sem especificar no entanto como poderia tal processo ser feito.

“Quando os factos mudam, penso que as pessoas têm direito a mudar de opinião”, explicou o antigo líder trabalhista, mencionando a “tragédia nacional” do Sistema Nacional de Saúde e como a saída da União Europeia (UE) não levaria a um maior financiamento da Saúde britânica, como tinha prometido a campanha dos que pretendiam sair.

Blair referia-se à frase propagada pela campanha a favor do Brexit de que o Estado britânico “envia cerca de 350 milhões de libras por semana para a UE” e que esse dinheiro seria investido no SNS do país depois de o Brexit estar concluído. O valor, contudo, revelar-se-ia falso, já que não tem em conta o dinheiro que o Reino Unido recebe da União por outras vias, nomeadamente através de fundos para a agricultura, projetos de coesão nacional ou investigação científica.

As declarações de Blair surgem na véspera de um dia decisivo para as negociações do Brexit. A primeira-ministra Theresa May irá reunir-se na segunda-feira com Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia. À meia-noite termina o prazo para serem alcançados “progressos satisfatórios” em matérias como dinheiro, direitos dos cidadãos e a questão da fronteira com a Irlanda. May está sob pressão, o que já levou o ministro da Saúde, Jeremy Hunt, a fazer um aviso aos outros conservadores: só com ela pode haver Brexit.

Metade dos britânicos quer novo referendo, diz sondagem

Este domingo também foi conhecida uma sondagem sobre a possível realização de um segundo referendo a uma saída da União Europeia. Publicada na edição de domingo do Daily Mail, a sondagem revela que 50% dos inquiridos apoiam uma nova votação, 34% são contra e 16% diz que não sabe.

Um terço dos 1003 adultos entrevistados pela empresa Survation dizEM também que a sua situação financeira piorará caso o país saia da UE. Mike Smithson, analista ligado aos liberais democratas, declarou que esta é “a primeira vez que uma sondagem registou apoio” a um novo referendo ao Brexit.