Não haverá Brexit se Theresa May não receber apoio para o negociar, avisou este domingo um dos ministros do seu Governo. Jeremy Hunt, ministro da Saúde, defende que a escolha não é entre este ou aquele Brexit. “Se não apoiarmos Theresa May não teremos Brexit e ela está a fazer muito bem um trabalho incrivelmente desafiante”.

As declarações ministro da Saúde, em entrevista à estação televisiva ITV, são feitas na véspera de uma reunião vista como crucial para desbloquear o processo de negociações para a saída do Reino Unido da União Europeia. Theresa May encontra-se esta segunda-feira com o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker com a expetativa do lado britânico de que em Bruxelas se considere que já existem progressos suficientes para iniciar as discussões sobre comércio.

São também um recado aos promotores do Brexit que têm elevado as exigências para o caderno de encargos que May deverá aceitar antes de chegar a um acordo financeiro com a União Europeia. Uma das questões que tem sido reivindicada é o fim imediato da jurisdição dos tribunais europeias, assim que o Reino Unido saia, o que está previsto para março de 2019. Apesar de já existir uma data e um número para o cheque — 50 mil milhões de euros terá sido o valor colocado em cima da mesa pela primeira-ministra britânica — as negociações ainda não registaram um passo em frente decisivo.

E May chega a Bruxelas fragilizada depois dos conselheiros do Governo para a mobilidade social se terem demitido em resposta ao que consideram ser o fracasso da política para melhorar a vida dos mais pobres no Reino Unido. Outro golpe é o caso que envolve seu vice-primeiro ministro Damian Green, na sequência da acusação de conduta sexual inapropriada.

A União Europeia fixou um prazo até esta segunda-feira para o Reino Unido apresentar uma melhor oferta das condições para o divórcio. Para além da fatura da saída, outras matérias sensíveis continuam em aberto como os direitos dos cidadãos da União Europeia depois do país abandonar a união e o futuro da fronteira com a Irlanda, que permanecerá membro da UE. Só quando forem conseguidos “progressos suficientes” do ponto de vista de Bruxelas é que avançam discussões sobre os temas mais complexos, como a livre circulação de bens.