A Polícia Judiciária e o Ministério Público terão decidido juntar três grandes processos contra o Benfica num só: depois de se ter ficado a saber durante a semana que o caso dos vouchers estava a ser analisado em conjunto com o caso dos emails, o Expresso avança este sábado que também um outro ligado com os encarnados, e que diz respeito à alegada viciação de resultados na temporada de 2015/16, faz parte de uma espécie de “mega processo” onde existem suspeitas de corrupção ativa e passiva para alcançar o domínio do futebol nacional.

Ministério Público junta investigação dos vouchers e dos emails

Especificamente sobre a questão agora indexada da alegada compra de jogos, o Correio da Manhã tinha avançado que um dos encontros que estava na mira da investigação dizia respeito ao Rio Ave-Benfica de 2015/16, que terminou com a vitória dos encarnados por 1-0 com golo de Raúl Jiménez, mas existem pelo menos mais dois jogos na segunda volta que estarão a ser analisados pela Polícia Judiciária. A RTP chegou mesmo avançar que seriam cinco as partidas em causa referentes a essa época onde o clube se sagrou tricampeão nacional.

PJ estará a investigar mais jogos do Benfica, águias falam em campanha contra o clube

Tendo também como contexto a operação “Jogo Duplo”, que envolve jogadores, técnicos, dirigentes, agentes e uma rede internacional de empresários asiáticos que terão manipulado jogos através de apostas online, o Expresso revela também que o último terço do Campeonato costuma ser a fase onde a Polícia Judiciária concentra mais atenções porque “é nesse período em que algumas equipas já têm o lugar definido na tabela que muitos jogadores e dirigentes se deixam aliciar por este crime, pois consideram que não têm nada a perder.

Recorde-se que, esta semana, a Sábado tinha avançado que o processo dos vouchers tinha sido junto ao caso dos emails por decisão dos procuradores da 9ª secção do Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa, que justificaram a decisão pela existência de matérias e figuras que coincidem nos dois casos. Em paralelo, soube-se também que, em relação aos vouchers, uma questão levantada por Bruno de Carvalho, presidente do Sporting, em 2015, já há um relatório final entregue pela Unidade Nacional contra a Corrupção da Polícia Judiciária.

Caso dos emails. Juíza diz que novas provas “adensaram as suspeitas” de crimes

Esta sexta-feira, João Correia, um dos advogados do Benfica neste processo, confirmou à Sábado que o clube enviou uma carta à Procuradora-Geral da República, Joana Marques Vidal, e aos membros do Conselho Superior do Ministério Público. “Pedi que os crimes que são anunciados e sistematicamente praticados às terças-feiras à noite [altura em que passa o programa Universo Porto de Bancada, no Porto Canal] sejam investigados como impõe o estatuto do Ministério Público”, disse. Francisco J. Marques, diretor de comunicação do FC Porto, não demorou a responder através do Twitter: “O Benfica quer que se investiguem os ‘crimes’ das terças à noite e eu quero que se investiguem os de todos os dias, o que faz a sua diferença”.