Na última assembleia geral de dia 3 do Sporting, Bruno de Carvalho não gostou de ver que, a certa altura, havia um requerimento para adiar as votações dos pontos 6 e 7 que provavelmente seria votado a favor. E não gostou porque, no seu entender, tudo não teria passado de uma “jogada” para criar mais ruído em torno da sua liderança. Refletiu, ponderou e fez uma espécie de all in acrescentando ainda um ponto às alterações estatutárias e ao novo regulemento disciplinar: a continuidade dos órgãos sociais. Tudo teria de passar, pelo menos, com 75%. As cartas foram jogadas e confirmou-se que o líder leonino tinha mesmo a melhor mão e saiu vencedor com quase 90%.

No ponto 1, que dizia respeito às alterações estatutárias e que teve mais de 5.300 sócios votantes, houve 87,3% de votos a favor entre 5.381 sócios (28.500 votos); no ponto 2, sobre o novo regulamento disciplinar, um pouco mais ainda: 87,8% entre 5.389 sócios (28.541 votos); no ponto 3, sobre a continuidade dos atuais órgãos sociais, a maior votação de todas: quase 90% (89,55%) entre 5.392 votos (28.508 votos). Agora, os novos estatutos (que podem ser consultados aqui) terão de ser aprovados ainda no Registo Nacional de Pessoas Coletivas.

E era fácil perceber o que se poderia passar, comparando também com o que se costuma passar nas assembleias gerais: neste contexto, quanto mais associados comparecem, mais forte é o sentido de voto. E o facto de haver filas com centenas de pessoas ainda antes das 12 horas para a credenciação refletia isso mesmo. Contas feitas, foram cerca de 6.400 os associados que passaram por Alvalade, no Pavilhão João Rocha ou no Multidesportivo, depois da nova infraestrutura para as modalidades ter atingido o seu limite máximo de capacidade (4.000).

Com início às 14h33, a assembleia geral começou com as explicações formais de Jaime Marta Soares, presidente da Mesa, e a aprovação seguinte da ata da AG de dia 3, que foi dada como concluída e não suspensa, como tinha sido referido nesse dia. Nessa primeira votação, uma espécie de mera “formalidade”, houve apenas um sócio com três votos a pronunciar-se contra. Seguiu-se o discurso inicial de Bruno de Carvalho, mais curto do que é habitual mas com alvos que não costumam estar na sua mira, casos de José Roquette, Rogério Alves ou os filhos de João Rocha.

No momento seguinte, houve 33 associados leoninos que se inscreveram para falar e, quando já tinham começado as intervenções, Carlos Severino saiu do Pavilhão João Rocha sob escolta policial. Durante esse período, no interior do recinto, à exceção de um pequeno episódio, tudo decorreu de forma calma e com um claro apoio a Bruno de Carvalho que os resultados do escrutínio acabariam por confirmar umas horas mais tarde.

“Foi dada uma resposta à altura para aqueles que não estavam à espera de uma votação destas e de um debate destes. Passaram por este pavilhão cerca de 6.000, não é uma assembleia geral qualquer. Tivemos, no final desta maratona, a satisfação de fazer as nossas leituras e estou convencido que todos aqueles que lá fora queriam que o Sporting não tivesse esta forma de ser perceberam isso. Os grandes vencedores foram os milhares de sportinguistas que estiveram aqui. Bruno de Carvalho é um grande presidente do desporto em Portugal e conseguiu sair daqui com uma votação maior do que nas eleições”, resumiu Jaime Marta Soares, presidente da Mesa.