Companhia Nacional de Bailado

Companhia Nacional de Bailado estreia esta quinta-feira nova coreografia de Tânia Carvalho

A Companhia Nacional de Bailado estreia esta quinta-feira a nova coreografia de Tânia Carvalho. "S", a nova peça, faz parte de um ciclo sobre os vinte anos de carreira da coreógrafa.

MARIO CRUZ/LUSA

As sapatilhas de pontas estão no centro da nova peça coreográfica de Tânia Carvalho, criada para a Companhia Nacional de Bailado, que se estreia esta quinta-feira, em Lisboa, no âmbito de um ciclo sobre os vinte anos de carreira da coreógrafa.

Intitulada “S”, a nova peça, que se estreia às 21:00, no Teatro Camões, tem coreografia e figurinos de Tânia Carvalho, música de Diogo Alvim, desenho para tela de Rui Vasconcelos, desenho de luz de Mafalda Oliveira e Tânia Carvalho, e interpretação de bailarinos da CNB.

A peça – na qual surge uma mistura de símbolos, como a sapatilha – terá interpretação musical da Orquestra Sinfónica Portuguesa, com direção musical de Nuno Coelho Silva, o mais recente vencedor do concurso internacional de maestros de Cadaqués.

Esta nova criação assenta no percurso e desenvolvimento da sapatilha de ponta, numa homenagem a Marie Taglioni (1804-1884), a primeira bailarina a utilizar este objeto em cena, em 1832, em “La Sylphide”, de onde se inspira o título.

Indispensável à vida de uma bailarina clássica, a sapatilha de ponta surgiu no século XIX e, ao longo dos tempos, tem sido transformada, adaptada e aperfeiçoada, no que diz respeito à sua estrutura e materiais utilizados.

Esta transformação “permitiu um desenvolvimento técnico, cada vez mais ágil e não menos difícil, que veio também possibilitar uma procura sobre as formas estéticas da dança para as quais as sapatilhas de pontas foram muitas vezes um motor de pesquisa”, assinala a CNB, num texto sobre a obra.

Não se tratando de uma homenagem formal a Marie Taglioni, a nova criação é sobretudo “uma abordagem sobre um objeto que, não obstante o seu desenvolvimento, a essência da sua criação continua a prevalecer e a estar implícita”.

Para apresentar na CNB, até ao dia 4 de março, em programas diferentes, Tânia Carvalho – que trabalha pela primeira vez com a companhia – também remonta duas das suas peças para o repertório: “Olhos Caídos”, de 2010, e “A Tecedura do Caos”, de 2014, ambas estreadas na Bienal de Dança de Lyon.

Iniciado a 19 de janeiro, o ciclo sobre os vinte anos do universo criativo da coreógrafa Tânia Carvalho, que cruza a dança, a pintura e o cinema, envolveu ainda os teatros municipais Maria Matos e São Luiz, que se associaram ao aniversário para apresentar um programa multidisciplinar.

Na altura, em declarações à agência Lusa, Tânia Carvalho comentou, sobre “S”: “A nova peça para a CNB foi uma encomenda do diretor, Paulo Ribeiro, e mistura muitos estilos de dança, a pensar nos movimentos e nos desenhos que o corpo pode fazer. É uma peça mais das formas, do jogo de formas”.

“Não tenho muitos temas que me interessam explorar. Sou muito levada pela intuição, por outra forma de pensar sem ser o racional ou articular pensamentos e fazer teorias à volta das peças”, acrescentou a criadora, nascida em 1976, em Viana do Castelo.

Questionada sobre o processo criativo do seu trabalho, Tânia Carvalho disse: “Enquanto estou a criar sou muito levada por uma espécie de vazio. Tento criar um vazio em mim para as coisas surgirem, e não partir de uma confusão mental, ou de uma articulação de pensamentos muito elaborada”.

O ciclo reúne ao todo nove peças, sendo a mais antiga de 2008 e, apesar de incidir sobre vinte anos de trabalho, não percorre exatamente esse período, “porque seria complicado ir mesmo ao início, já que as peças mais antigas eram mais complicadas de remontar”, explicou.

“É a primeira vez que as apresento todas juntas. Elas andaram sempre comigo, este tempo todo. Parece que nunca largo as peças, fico sempre com elas. Mostrá-las ao mesmo tempo vai ser a maior experiência”, disse à Lusa.

“Icosahedron”, “De Mim Não Posso Fugir, Paciência!”, “Um Saco e uma Pedra — peça de dança para ecrã” e “Movimentos Diferentes” são algumas das outras peças apresentadas no ciclo.

Tânia Carvalho iniciou os estudos de dança na cidade natal e, na década de noventa, prosseguiu estudos artísticos na Escola Superior de Arte e Design das Caldas da Rainha, na Escola Superior de Dança de Lisboa e no Fórum Dança.

As suas primeiras criações nos domínios da coreografia foram “A Corte” e “Inicialmente Previsto”, ambas apresentadas no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, esta última distinguida com o Prémio Jovens Criadores 2000, tendo sido apresentada em Sarajevo em julho do ano seguinte.

É autora de várias bandas sonoras das suas próprias coreografias, como por exemplo a de “Como Se Pudesse Ficar Ali Para Sempre” (2005) e também a de “Síncopa” (2013).

Outras peças atravessam outras artes, como a pintura, em “Xilografia” (2016), foram marcadas pelo expressionismo e pela memória do cinema, como em “27 Ossos”.

“Icosahedron” venceu o prémio de melhor coreografia da Sociedade Portuguesa de Autores, em 2011.

Todos queremos saber mais. E escolher bem.

A vida é feita de escolhas. E as escolhas devem ser informadas.

Há uns meses o Observador fez uma escolha: uma parte dos artigos que publicamos deixariam de ser de acesso totalmente livre. Esses artigos Premium, por regra aqueles onde fazemos um maior investimento editorial e que mais diferenciam o nosso projecto, constituem a base do nosso programa de assinaturas.

Este programa Premium não tolheu o nosso crescimento – arrancámos mesmo 2019 com os melhores resultados de sempre.

Este programa tornou-nos mesmo mais exigentes com o jornalismo que fazemos – um jornalismo que informa e explica, um jornalismo que investiga e incomoda, um jornalismo independente e sem medo. E diferente.

Este programa está a permitir que tenhamos uma nova fonte de receitas e não dependamos apenas da publicidade – porque não há futuro para a imprensa livre se isso não acontecer.

O Observador existe para servir os seus leitores e permitir que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia. Por isso o Observador também é dos seus leitores e necessita deles, tem de contar com eles. Como subscritores do programa de assinaturas Observador Premium.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)