José Manuel Garcia Marques Severino, o pasteleiro ficcionado por Herman José, afirmava em 1991, no programa Hermanias,  que ele “era mais é bolos”. Os japoneses, por sua vez, não podiam ser mais diferentes.

A gastronomia nipónica é parca no que a guloseimas diz respeito, mas mesmo assim, há uma excepção: os bolinhos que acompanham a célebre cerimónia do chá e que agora já pode encontrar em Lisboa, nos lanches do Kanazawa, restaurante japonês liderado por Paulo Morais.

Na mesma sala pequena (só senta oito pessoa ao balcão) onde pode provar um dos únicos menus kaiseki do país passou a estar disponível aquele que será um dos “lanches” mais originais da capital.

O chef Paulo Morais a fazer o tradicional chá de matcha (folhas de chá verde transformadas em pó). ©Diogo Lopes / Observador

O lanche do Kanazawa é composto pela incontornável cerimónia do chá — “primeiro aquecemos a chávena com água quente e o pincel de bambu. Depois pomos a matcha, a água quente e mexemos tudo muito bem”, explica o chef Morais — e por um sortido base composto por cinco pequenos bolos. É no capítulo da pastelaria, precisamente, que mora o elemento diferenciador de toda a experiência.

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“Ainda estamos a aprender, a testar receitas”, começa o chef por explicar. Estes lanches são uma aventura ainda “muito recente”  e o dominar das receitas, explica, “é mais difícil do que parece”. De um modo geral, existem dois tipos de guloseimas: as mais coloridas — chamadas de “wagashi” –, que são feitas a partir de uma base de feijoca, e outras mais perto de um típico bolo seco. Apesar de procurarem “fazer coisas diferentes todas as semanas”, existem sempre umas 14 variedades de doces para escolher.

Outra das caixas de guloseimas japonesas. O cliente escolhe e o chef serve. Com “pauzinhos”, claro. ©Diogo Lopes / Observador

De entre a oferta há, por exemplo, a já famosa castella, o pão-de-ló japonês que é a única coisa não caseira — “compramos na Kasutera, a pastelaria japonesa que fica no Poço dos Negros [em Lisboa]. Temos a normal e a de matcha”, explica o chef –; os dorayakis, que são uma espécie de sanduíche de panquecas com recheio de feijão (são os bolinhos do desenho animado Doraemon, sim); cubinhos de yokan, uma gelatina de feijão forrada de pistacho e até os tradicionais daifukus, doce complexo que consiste num mochi (pastel de arroz, meio gelatinoso) recheado com pasta de feijão e morango.

Este é um pequeno aperitivo daquilo que aqui pode encontrar todas as sextas-feiras e sábados, entre as 13h e as 18h. Para conhecer melhor a oferta desta nova faceta do Kanazawa não há nada como experimentar in loco. Anote já uma data na agenda e não se preocupe muito com o preço: tudo isto pode ser degustado pelo preço fixo de 10 euros.

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