Carlos Pina, presidente do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), afirmou esta quinta-feira que o LNEC e a Infraestruturas de Portugal “têm acompanhado regularmente todas as obras com o objetivo de garantir as necessárias condições de seguranças sobre a ponte 25 de Abril”.

O presidente do organismo que no mês passado fez chegar ao Governo um relatório a alertar para a necessidade de “medidas urgentes” de reparação da ponte, sublinha que “a ponte está segura, esteve segura e vai continuar segura”. O que não quer dizer que as obras recomendadas não sejam “urgentes”, disse aos jornalistas, acrescentando que as “anomalias” que agora vieram a público através de uma reportagem da revista Visão já tinham sido detetadas “há mais de seis anos”.

“As obra são urgentes, mas prevê-se que vão durar dois anos, por isso devem ser iniciadas o mais depressa possível para que não sejamos confrontados com problemas mais graves”, explicou Carlos Pina aos jornalistas em declarações no início desta noite.  referindo-se à grande reparação prevista para a ponte, que deve ser feita de forma a “garantir que os efeitos negativos sobre as pessoas que diariamente fazem a travessia do Tejo sejam os menores possíveis”.

Segundo o presidente do LNEC, não está em causa a segurança dos utentes que circulam na ponte e todas as “anomalias” foram devidamente detetadas.  “As anomalias que recentemente têm vindo a público na comunicação social sobre esta construção (fissuras na estrutura metálica) são detetadas precisamente com o programa de monotorização que regularmente fazemos, que serve exatamente para interpretar a causa dessas anomalias e definir qual a melhor estratégia para as eliminar, assegurando assim todas as condições de segurança”, disse.

Esta tarde, tinha sido o presidente da Infraestruturas de Portugal (IP), António Laranjo, a dizer em conferência de imprensa que a obra de reparação da Ponte 25 de Abril “não é urgente” e que, se houvesse perigo, a infraestrutura “estaria fechada”. “Não é uma obra urgente nem emergente”, apesar de ser “prioritária” para a IP, disse numa conferência de imprensa.

Infraestruturas de Portugal diz que obra na Ponte 25 de Abril “não é urgente”

De acordo com o responsável das Infraestruturas de Portugal, o concurso público internacional de reabilitação da estrutura deve ser lançado no dia 22 de março e estimou que as obras arranquem no final deste ano, início do próximo. Segundo o presidente do LNEC, o tempo que vai demorar entre o concurso e as obras não põe em causa a segurança da ponte. “As obras irão realizar-se no tempo que é adequado para garantir a segurança da ponte”, afirmou.

Até porque, diz, as “anomalias foram detetadas há mais de seis anos e desde essa altura se sabia que era necessária uma intervenção mais pesada para corrigir”. Segundo Carlos Pina, “os trabalhos foram sendo desenvolvidos”, mas tal não impediu o LNEC de, no mês passado, enviar um relatório ao ministérios do Planeamento e Infraestruturas a pedir aceleração do processo.  “Nesta altura achámos que devíamos informar o secretário de Estado para realizar as obras o mais depressa possível”, disse ainda.

Finanças aprovaram logo após alerta do LNEC sobre “urgência” das reparações

Esta quinta-feira à noite, o Ministério das Finanças emitiu um segundo comunicado a rejeitar ter demorado seis meses a dar seguimento à autorização para a obra, mas a reconhecer que foi na sequência de dois relatórios enviados para o Governo este ano, um em janeiro e um em fevereiro, a alertar para a necessidade de obras de curto prazo que deram sequência ao pedido.

“Recentemente, dois relatórios, um de Janeiro de 2018 (realizado pelo Instituto de Soldadura e Qualidade) e outro de Fevereiro de 2018 (realizado pelo LNEC), indicaram a necessidade de realização de obras a curto prazo, confirmando a programação previamente definida pela Infraestruturas de Portugal. Face à urgência identificada nesses relatórios, o Ministério das Finanças aprovou prontamente as respetivas portarias de extensão de encargos”, lê-se na nota enviada às redações.

Segundo o gabinete de Mário Centeno, o Orçamento do Estado para 2018 já previa já “os montantes necessários à intervenção na Ponte 25 de Abril, no quadro do calendário de manutenção regular e plurianual previamente estabelecido”.