Sergio Marchionne é conhecido pelas suas posições algo duras e pelo seu enfoque nos números. Ora, quando é o próprio homem-forte da Fiat Chrysler Automobiles (FCA) quem assume que os hatchbacks de duas portas deixaram de ser comercialmente interessantes, é sinal que o Alfa Romeo MiTo caminha para o corredor da morte. Pelo menos, tal como está.

Se houver um novo MiTo no futuro, não espero que ele seja projectado no mesmo formato do actual”, declarou o italiano, acrescentando que o este nicho de mercado, do segmento B, “encolheu” a ponto de não se tornar viável uma nova geração do Alfa ancorada neste conceito.

As declarações de Marchionne à AutoExpress, no Salão de Genebra, levam a publicação a levantar uma possibilidade que vem já sendo falada: o renascimento do MiTo como crossover. Faz sentido? Faz, por três razões.

A primeira porque o Stelvio, o primeiro SUV da Alfa, tem tido uma carreira comercial auspiciosa, contribuindo para ir estancando a sangria das contas do construtor de Arese, que ainda não saíram do vermelho. Logo, potencialmente, uma proposta mais acessível faria maravilhas ao exercício da Alfa, até porque a procura tende a crescer e não o contrário.

A segunda razão é que, conforme vazou em meados do ano passado, o plano de produto da Alfa já prevê mais dois SUV. Em cima da mesa estará o lançamento de um pequeno crossover, para o segmento B – poderá chamar-se Kamal ou, por que não, assumir a denominação MiTo –, e um modelo para posicionar acima do Stelvio. Portanto, uma proposta que colocaria a marca transalpina num segmento (D) onde nunca esteve presente.

A terceira tem a ver com os mercados onde a Alfa Romeo pretende reforçar a sua implantação, o que obviamente se tornará mais fácil se a marca contar com um produto mais barato, de acesso à sua gama SUV.

Resta aguardar pelo próximo dia 1 de Junho, data em que será revelada a estratégia da casa de Arese. Aí teremos, provavelmente, a confirmação oficial de uma decisão que, ao que tudo leva a crer, foi já tomada.