Realidade virtual

As promessas da Realidade Virtual na PlayStation 4

O Rubber Chicken foi a Londres ao Playstation VR Spring Showcase, a convite da PlayStation Portugal, para conhecer todas as promessas da Realidade Virtual para 2018.

Star Child é uma das grandes promessas exclusivas para a Realidade Virtual da Sony

A Primavera desponta em todo o lado: a temperatura aumenta, o sol brilha e as flores e as andorinhas aparecem. No entanto, este ano, a Primavera parece estar a demorar mais do que o normal, mantendo-nos no nosso estado invernal de hibernação eremítica.  Para acompanhar este estado de espírito recluso, nada como nos acercarmos de uma bela fogueira e colocar o Playstation VR na cabeça, sendo transportados para alguma outra realidade mais soalheira.

Pelo menos, foi essa a sugestão que a Sony colocou quando nos convidou para o Playstation VR Spring Showcase, numa espécie de antevisão do podemos esperar nos tempos vindouros na plataforma. O facto de este evento se passar na eternamente plúmbea e pardacenta Londres tanto pode ser um golpe de génio como uma mera coincidência.

Quando falamos em Realidade Virtual, não há melhor do que a experiência em primeira mão. E foi exatamente isso que o evento ofereceu, com uma panóplia de estações divididas por dois andares: 11 dos 13 jogos anunciados estavam disponíveis para curtas sessões, com a presença dos developers na maior parte dos casos. Infelizmente, não foi possível testar todos os jogos disponíveis, por isso apenas discutirei os jogos que experimentei diretamente.

Virry Safari: Wild Encounters (Fountain Digital)

O criador de Virry Safari: Wild Encounters propõe-nos algo diferente das experiências VR até agora existentes na plataforma: porque não chegar a casa ao fim de um dia stressante e relaxar na natureza, contribuindo para a manutenção desta ao mesmo tempo?

Esta experiência VR consiste num conjunto de diferentes vídeos narrados em que o utilizador pode observar diversos animais presentes numa reserva natural no Quénia e descobrir mais sobre eles e os seus hábitos ou simplesmente passear através de vários ambientes naturais relaxantes. Acontecem vários momentos caricatos, do roubo das câmaras de filmar até às lambidelas na objetiva, o que manteve um sorriso na minha cara durante toda a experiência. Embora divertido e pedagógico, a experiência carece de uma natureza mais interactiva, ficando pelo ramo da contemplação. No entanto, no futuro, poderemos também subscrever um live feed de vídeo da reserva natural para combater esta monotonia, revertendo uma parte dos lucros para a manutenção da reserva natural. Virry Safari recomenda-se a quem quiser uma experiência VR mais relaxante, ou para quem tiver crianças e queira educá-las sobre a natureza e incutir valores ambientais, sem recorrer apenas a documentários.

Track Lab (Little Chicken Game Company)

Saindo da natureza e entrando no mundo artístico, Track Lab traz a produção musical para a nossa sala de estar. Usando dois comandos Move, podemos arrastar, duplicar e rodar padrões rítmicos e musicais de maneira a criar música de uma maneira intuitiva e visualmente atrativa, até incluindo algumas opções de mixing e mastering. O facto de recebermos feedback constante e imediato encoraja uma abordagem “faz enquanto fazes” que simplifica o processo e torna-o divertido. Os comandos eram responsivos e fluidos e a interface era colorida e simples de navegar, com a inclusão de tutoriais, para facilitar a abordagem inicial. Promete muitas horas de diversão a quem tem o mínimo de interesse pelo mundo musical e é notória a paixão dos criadores pelo mundo da música eletrónica.

Salary Man Escape (RAS)

Salary Man Escape retrata a fuga de um homem assalariado da rotina esmagadora e apresenta-nos este dilema de uma maneira muito divertida. Todos os níveis são compostos por blocos, alguns amovíveis e outros estacionários. A nossa função é remover, deslocar e adicionar blocos para criar um caminho de fuga à nossa personagem principal. A direcção artística é minimalista, mas suficientemente distinta, o que resulta muito bem num jogo de puzzles em que não devemos ser distraídos pela apresentação visual. Passados alguns níveis introdutórios bastante fáceis, a dificuldade e complexidade aumentam, obrigando-nos a parar para pensar e utilizar as capacidades de rotação 360º do PSVR. No entanto, o path-finding (capacidade da personagem escolher o caminho a percorrer) e motor de física precisam de alguns ajustes para ficarem no ponto, pois em algumas vezes o jogo sofreu de má detecção de possíveis soluções ou ocorreu uma reacção inesperada às soluções apresentadas. O jogo é lançado já a 23 de Maio.

 Animal ForceTM (ISVR)

Animal ForceTM é provavelmente o jogo de tower-defense mais fofo que alguma vez joguei. Neste jogo, somos uma nave incumbida de utilizar a Animal ForceTM para combater uma hoste de alienígenas invasores que pretendem raptar a raça humana. No entanto, não se iludam com as aparências, pois a dificuldade do jogo aumenta rapidamente à medida que progredimos, sendo muito mais ativo do que muitos jogos tradicionais do género. Temos de usar o controlador Move para mover a nossa nave, apanhando power-ups e novos animais que se deslocam na nossa direcção, enquanto reposicionamos as nossas defesas ao longo de rotas de inimigos que se alteram constantemente. Para além da estética infantil, o jogo é viciante e desafiante e qualquer fã do género ficará bem servido, quer seja pequeno ou graúdo. O jogo conta também com três modos locais versus em que o jogador com o PSVR compete contra até três jogadores com Dualshock (os comandos da PlayStation), acrescentando um factor social muito importante e raro nos jogos VR e fornecendo mais horas de diversão, pois a campanha single player conta com apenas 7 níveis.

Smash Hit Plunder (Triangular Pixels)

Smash Hit Plunder é um jogo com uma premissa muito engraçada: o nosso protagonista, um mago com proporções estranhamente triangulares, herdou o castelo dos seus sonhos… só que este veio com uma dívida enorme a pagar! A nossa função, sozinho ou acompanhado de mais três jogadores com comandos Dualshock é revirar, partir, queimar e destroçar tudo o que conseguimos para arranjar dinheiro e pagar a dívida, em modo versus ou cooperativo. Ao comando do mago, usamos dois comandos Move para agarrar, atirar e usar feitiços, de uma maneira bastante satisfatória. Infelizmente, o tempo da sessão foi demasiado curto para experienciar tudo o que o jogo tem para oferecer, como a promessa de puzzles e inimigos nos níveis mais avançados. No entanto, parece ser uma boa aposta para uma noite de diversão com amigos, pois não há nada mais catártico que partir tudo e fazer dinheiro!

Blood & Truth (SIE London Studios)

Do estúdio que nos trouxe o VR Worlds chega uma versão aprimorada do London Heist, Blood & Truth. Embora apenas tenhamos tido acesso a um pequeno demo, este jogo baseado em clássicos de ação do cinema como Die Hard e James Bond oferece uma injecção de adrenalina e faz-nos sentir como se estivéssemos dentro de um filme enquanto plantamos bombas, desviamo-nos de balas, capturamos granadas e atravessámos hordas de inimigos. Após alguma dificuldade inicial de adaptação aos controlos Move, rapidamente nos tornamos extremamente letais, conseguindo combinar navegação, recarregar e apontar a arma e disparar com dois comandos Move, um em cada mão. A demo é curto e revela pouco sobre o enredo principal, mas a apresentação gráfica e sonora são muito boas, captando a atmosfera de uma cena de acção desenfreada. Curiosamente, com tanto movimento rápido, as sensações de enjoo foram mínimas e mais prevalentes no início do demo, devido a uma falta de familiaridade com os controlos de movimento. Um jogo a monitorizar, com grande potencial!

Star Child (Playful Corporation)

Star Child foi o jogo que mais me surpreendeu nesta showcase, tratando-se de um platformer 2D em VR. Em papel, a ideia parece estranha, pois o género não parece aproveitar as grandes potencialidades da realidade virtual. No entanto, fui agradavelmente surpreendido quando reparei que, embora a cção esteja restrita a um plano bidimensional no jogo, o VR fornece uma imersão incrível no mundo, fazendo o cenário do jogo parecer muito mais real e profundo. Com a melhor direcção artística deste Showcase e gráficos surpreendentemente polidos, a curta demo apenas falha por ser centrado no ambiente e história, oferecendo pouco em termos de jogabilidade com exceção de uns pequenos puzzles. No entanto, se o jogo final mantiver a qualidade vista na demonstração e associar a esta mecânicas interessantes, pode ser um título marcante para a plataforma.

WipeOut Omega Collection VR (Sony XDev)

A combinação WipeOut e VR deixa qualquer um intrigado, pois um jogo de corridas tão intenso poderia tanto resultar numa experiência incrível como num desastre completo. Infelizmente, foi o último caso. Durante toda a sessão de jogo, por mais alteração na posição do visor ou ajuste ao aperto do capacete, WipeOut mantém-se desfocado e causa imensa sensação de náusea. O jogo continua divertido, mas após menos de 5 minutos, torna-se impossível de jogar. Se não houver alterações ao motion blur, é melhor ficarmos a jogar na nossa televisão. O update para VR é grátis e está disponível neste momento.

Firewall: Zero Hour VR (First Contact Entertainment)

Para terminar em grande, Firewall: Zero Hour VR foi a principal atracção deste Showcase. Trata-se de um FPS em VR com possibilidade de jogar online ou offline, com amigos ou bots, muito ao estilo de Tom Clancy’s Rainbow Six Siege. Fomos presenteados com duas sessões de jogo hilariantes com os criadores do jogo. A primeira na posição de ataque, onde temos de obter informação acerca da localização de um portátil e hackeá-lo, e a segunda na posição de defesa, onde temos de prevenir que a equipa de ataque atinja os seus objectivos. Com três classes e vários avatares por onde escolher e a promessa de muitas mais armas e upgrades no jogo final, Firewall promete muito no pouco tempo de jogo que tivemos com ele. A jogabilidade é mais táctica e lenta do que um FPS normal, estimulando a calma e o diálogo entre a equipa para coordenar emboscadas ou a colocação de armadilhas estratégicas. Além disso, quando morremos, podemos alternar entre diferentes câmaras de segurança para auxiliar os nossos colegas de equipa, mantendo todos os jogadores ativos até ao fim da sessão, que não é demasiadamente longa. Por sua vez o esquema de controlos, que utiliza o controlador PSVR Aim, ou um Dualshock normal, é extremamente intuitivo e simples. Todos os jogadores presentes dominaram os básicos da jogabilidade com facilidade, o que tornou as sessões muito divertidas. Se os developers conseguirem acompanhar o jogo após o lançamento com conteúdo frequente, Firewall pode se tornar no primeiro grande FPS na plataforma VR.

PSVR começa a tender para uma realidade não virtual…

Saímos deste evento com a sensação de que o PSVR veio para ficar e para melhorar, com a Sony a mostrar uma oferta muito mais diversificada, abrangendo todos os gostos, desde experiências relaxantes, de comédia (como Rick and Morty: Virtual Rick-ality, que apenas observei em segunda mão)  jogos de acção/terror (The Persistence, que joguei durante tempo insuficiente para formar uma opinião), jogos de expressão artística e plataformas 2D e até MOBAS. O mais importante é que quase todos os jogos presentes têm um aspeto social presente, algo que tem faltado nas apostas da Sony para a plataforma VR e que pode ser um factor preponderante para o crescimento desta. Embora não seja uma plataforma sem falhas, a qualidade e variedade dos jogos está em claro crescimento, faltando agora à Sony fornecer alguns jogos AAA de formato longo que possam trazer um público maior à plataforma VR mais vendida no mundo. Com a descida de preço para 299,99 euros, parece uma boa altura para investir neste periférico cada vez mais central!

Nuno Marques, Rubber Chicken

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