Mesmo no meio da festa que começou a ser feita na noite de sábado no hotel Solverde, havia um elemento mais ponderado do que todos os outros. Até nas pequenas intervenções que teve junto dos jornalistas e mais tarde no Porto Canal, houve muita emoção mas sempre palavras serenas e sentidas de agradecimento. E um foco: o Feirense. Sérgio Conceição concretizou o grande objetivo de ser campeão pelos azuis e brancos mas não quer ficar por aí. E tem razões para isso.

Com o triunfo nesta penúltima jornada, depois de uma atribulada noite que obrigou inclusivamente a comitiva a mudar de unidade de hoteleira de madrugada por causa de um incêndio, o FC Porto passou a somar 85 pontos, ficando assim apenas a um ponto da maior pontuação de sempre do clube no Campeonato, conseguida por José Mourinho na época de 2003/04. Assim, e em caso de triunfo na deslocação a Guimarães que encerrará a prova, um triunfo valerá não só essa entrada na história dos dragões mas também a possibilidade de igualar o registo máximo, que pertence ao Benfica de Rui Vitória em 2015/16.

Fomos campeões ontem, depois houve aquela situação no hotel, deitámo-nos por volta das quatro ou cinco… Sabíamos que não ia ser fácil. Tínhamos de ir à procura do jogo e agora está na altura de desfrutar. Sabíamos que estávamos limitados, optei por deixar o Osório de fora… Estou aqui para ganhar jogos, mesmo tendo atenção em situações como a do Vaná, mas aquilo para o qual trabalhamos são as vitórias. Sou o que sou, hoje tinha de ser igual. Há jogadores que merecem ser campeões mas também temos de pensar nas outras equipas e devemos ser sérios”, destacou.

Em paralelo, numa temporada em que o estádio do Dragão funcionou como uma autêntica casa forte, o FC Porto fez a melhor época como visitado desde André Villas-Boas (20 vitórias e dois empates sem golos nas provas nacionais): os 72 golos marcados são o segundo melhor registo do século, igualando uma média que não se via desde José Mourinho.