Nada fazia prever o número final desta segunda semifinal da Eurovisão. Depois das atuações dos 18 países e antes de serem anunciadas as votações, as quatro apresentadoras alinharam num número de dança com direito a bailarinos e tudo. Quando Daniela Ruah apareceu no meio da plateia com um vestido azul curto, diferente do comprido e vermelho desenhado por Luís Carvalho que tinha usado até então, pairou a sensação de que algo inesperado ia acontecer. Segundos depois, as quatro anfitriãs surgiram no palco com vestidos curtos, à exceção de Filomena Cautela que trocou o seu vestido, também vermelho e longo, por umas calças largas e fluidas. Além da roupa, calçaram também sapatos de dança.

O pretexto para o número foi a história da própria Eurovisão. “Grande parte da história da Eurovisão pode ser contada através da dança”, exclamou Sílvia Alberta, dando o mote para o momento que se seguiu. Aos primeiros movimentos, um precalço — o primeiro botão do vestido de Sílvia Alberto não era à prova de sensualização e desapertou-se. Podia ter sido aquele momento Janet Jackson, mas não. O decote só ficou maior.

Catarina Furtado foi a primeira. Vieram as bailarinas e acompanharam-na num cancã lento, ao som de “Puppet On a String”, de Sandie Shaw, canção que ganhou a Eurovisão em 1967. O momento terminou com a apresentadora a ser elevada por dois bailarinos encorpados. Sílvia Alberto inaugurou o capítulo dos anos 70 com dois bailarinos e sem passos muito elaborados. Daniela Ruah entrou em cena e valeu mesmo a pena ter trocado para um vestido mais curto. Além de ter mostrado uma amplitude de pernas difícil de ingualar, ainda arrancou as calças de velcro a um bailarino. Ele não se ficou e levantou a apresentadora no ar, num lift que podia ter sido coreografado por Marco de Camillis.

Filomena Cautela ficou com os ritmos do século XXI e, apesar de ter sido arrastada para o palco, reproduziu na perfeição a coreografia da sueca Loreen, que ganhou o festival em 2012 com o tema “Euphoria”. Houve muitas luz, ventoinhas e o clássico braço morto. O número ficou completo com uma dose de Riverdance, segundo a voz off a dança mais famosa da Eurovisão e que nunca chegou a estar em competição. As quatro anfitriãs voltaram a juntar-se no palco para uma momento de sapateado celta, digno do Salão Preto e Prata.

Minutos depois, estavam de volta à sua fatiota inicial, prontas para revelar o resultado das votações. Escusado será dizer que não faltam gifs e memes para documentar o momento.