O presidente do PSD considerou esta sexta-feira “incompreensível” e revelador de “irracionalidade económica” o “défice de acessos” a Beja e defendeu a inclusão na reprogramação do atual quadro comunitário de dois investimentos na área, reivindicados pelo distrito. “O défice de acessos que Beja tem é incompreensível, primeiro em termos de justiça territorial”, porque este distrito “não está a ser tratado com a mesma justiça de todo o demais território português”, disse Rui Rio aos jornalistas, em Beja.

Por outro lado, continuou, “há uma irracionalidade económica por detrás” do “défice de acessos” a Beja, porque os investimentos necessários na rodovia e na ferrovia no distrito, “cujo montante não é muito elevado face a outros investimentos que vão ser feitos no país”, têm “um efeito multiplicador sobre a economia que é muito grande”. Trata-se dos investimentos relativos à conclusão da Autoestrada 26 até Vila Verde de Ficalho, passando por Beja, e à eletrificação dos troços ferroviários Beja-Casa Branca e Beja-Funcheira da Linha do Alentejo.

Rui Rio falava após uma reunião com membros do movimento cívico “Beja Merece +” incluída no programa de visitas a várias instituições e empresas que esta sexta-feira efetuou em Beja no âmbito das comemorações dos 44 anos do PSD. Segundo Rui Rio, o investimento público “deve ser justamente visto” com base no efeito multiplicador que tem sobre a economia, “particularmente quando é muito escasso”.

“Quando o investimento público é muito escasso, temos de ser mais cuidadosos no efeito multiplicador de cada euro que investimos”, frisou, referindo que “existe um efeito multiplicador muito grande na economia local e na economia nacional se efetivamente” forem construídos os acessos ao distrito de Beja “que se têm de construir” e “?por dez tostões'”.

“Claro que são muitos milhões de euros” que estão em causa naqueles investimentos, mas “face a outras obras anunciadas”, por exemplo no quadro da reprogramação do atual quadro de fundos comunitários, o Portugal 2020, são “dez tostões'”. Na reprogramação do Portugal 2020, que deve ter em vista “a coesão territorial e não o contrário”, ou seja, “o agravar das assimetrias”, “é fácil meter o pouco que o distrito de Beja está a pedir, mas que, repito, tem um efeito multiplicador muito grande”, defendeu.

Segundo Rui Rio, ao nível de acessos rodoviários e ferroviários, há “um problema” e “uma diferença muito grande” no distrito de Beja em relação ao resto do território português, “porque, em termos relativos, não está [ali] feito o que já está feito noutros lados”. A reunião de hoje decorreu um dia após o movimento ter promovido uma manifestação em Lisboa, que juntou centenas de pessoas, e de ter entregado na Assembleia da República uma petição com mais de 26.000 assinaturas para reivindicar a conclusão da Autoestrada 26, a requalificação de estradas de acesso à região, a eletrificação dos troços ferroviários Beja-Casa Branca e Beja-Funcheira, o “total aproveitamento” do aeroporto de Beja e melhores serviços de saúde para o Baixo Alentejo.

Segundo Rui Rio, o movimento e as 26 mil pessoas que assinaram a petição “têm razão” e, por isso, “o PSD está disponível para ajudar quem tem razão”. Em declarações aos jornalistas após a reunião, Florival Baiôa, do “Beja Merece +”, disse que “parece haver da parte de Rui Rio uma grande recetividade em relação às quatro reivindicações do movimento, que são normais, urgentes e baratas no contexto orçamental”. Segundo Florival Baiôa, o líder do PSD “prontificou-se a dar todo o apoio formal e informal” às quatro reivindicações do movimento.