Ninguém em Portugal jogou tanto como o Sporting. E tantos jogos sobre as pernas tinham que deixar mossa. E deixaram. No derradeiro, naquele que valeria a Champions e os milhões da Champions, cedo se percebeu que isto não se resolveria com pernas, com pulmão, mas com o que sobra quando tudo o mais se vai: o coração. De Piccini a Gelson, de William a Acuña, de Coentrão a Dost, todos pareciam exaustos, presos por arames, ainda a mal partida tinha começado, e apenas Bruno Fernandes, sozinho contra o mundo, queria resolver cedo a contenda na Madeira.

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MARÍTIMO-SPORTING (2-1)

Estádio dos Barreiros, no Funchal

Primeira Liga NOS 2017/2018 (Jornada 34)

Árbitro: Jorge Sousa (AF Porto)

Marítimo: Amir; Bebeto (Diney, 84′), Zainadine, Pablo e Rúben Ferreira; Ghazaryan, Jean Cléber e Gamboa; Correa (Filipe Oliveira, 92′), Joel Tagueu e Edgar Costa (Ricardo Valente, 75′)

Suplentes não utilizados: Charles, Rodrigo Pinho, Fábio China e Everton

Treinador: Daniel Ramos

Sporting: Rui Patrício; Piccini (Doumbia, 83′), Coates, Mathieu e Fábio Coentrão (Bryan Ruiz, 54′); Battaglia (Montero, 69′), William Carvalho, Gelson Martins e Acuña; Bruno Fernandes e Bas Dost

Suplentes não utilizados: Salin, Ristovski, Petrovic e Lumor

Treinador: Jorge Jesus

Golos: Joel Tagueu (31′), Bas Dost (32′) e Ghazaryan (92′)

Ação disciplinar: Nada a registar

Mais do que incomodar Abedzadeh na baliza — houve um remate de Bruno ao minuto 11 e nada mais –, o Sporting controlava e os da casa só procuravam, sempre por Ghazaryan e sempre sem efeito, contra-atacar. Mas até foi o Marítimo quem primeiro marcaria nos Barreiros. Foi ao minuto 31. Livre à direita, uma espécie de canto curto, Edgar Costa bate e Joel surge na grande área, entre Coentrão e Coates, a desviar de cabeça para o primeiro. Melhor reação não podia o Sporting ter. Na resposta ao golo sofrido, um minuto volvido, Bruno Fernandes conduz o ataque, era sempre ele a fazê-lo, abre à direita em Gelson, o extremo cruza, ninguém do Marítimo consegue cortar e Dost, a rematar de primeira na grande área, reestabelece a igualdade: 1-1.

Esperar-se-ia que a partida abrisse. Mas fechou-se. E até ao intervalo só um remate mais para a amostra. Ao minuto 43, Edgar Costa cruza à esquerda, a bola aparentava sair pela linha de fundo mas não saiu, Bebeto ganha a frente a Acuña e ainda desvia, em esforço, para a baliza. Patrício segura.

Aquela toada, “mastigada”, manteve-se logo após o recomeço: o Sporting tinha a iniciativa mas ninguém rematava. Em Lisboa o Benfica já vencia no estádio da Luz (e garantia a Champions) e mesmo assim a toada manteve-se. O Sporting queria vencer, elogie-se, povoava o ataque com Montero primeiro e Doumbia em seguida — Dost lá continuava –, mas entre o querer e o poder, ficou-se pelo querer. Ao minuto 50, a melhor ocasião: inspirado por Marco van Basten — e o golo do conterrâneo à URSS na final do Euro 88 –, Bas Dost, servido por William na grande área, rematou de primeira — ao contrário de van Basten, fê-lo de pé esquerdo — e quase bateu Amir Abedzadeh. Nada mais se viu.

Ou melhor, ver até viu. Ao minuto 92, Ghazaryan, vindo da esquerda, ultrapassa a defesa do Sporting como “manteiga”, William deixa-o passar, e o arménio rematou. Depois, Patrício deu uma “frango” como há muito dele não se via. E o Sporting, acaba derrotado quando só a vitória importava. Pior não podia ser. Mas ainda há a final no Jamor.