Bruno de Carvalho chegou à longa conferência de imprensa desta tarde, em Alvalade, com os jornais do dia debaixo do braço. À cabeça, criticou logo o artigo de opinião assinado por Miguel Sousa Tavares no Expresso, onde se lê, na chamada de capa, que “Brunos de Carvalho devem ser mortos à nascença”. Mais à frente, nas mais de 2 horas de duração da conferência de imprensa, o presidente do Sporting voltaria a criticar mais do que uma vez o mesmo artigo, sem nunca referir o nome do jornalista. Miguel Sousa Tavares, contudo, não recua no que escreveu, admitindo apenas ao Observador que a chamada de capa é “abusiva, tirada do contexto e presta-se a que pessoas pouco inteligentes façam interpretações literais“.

“Obviamente que não defendo o homicídio de ninguém, não faço parte do bando de arruaceiros que invadiu Alcochete. O que digo ali é que a demagogia deve ser morta à nascença, e toda a gente com o mínimo de inteligência que ler o texto percebe isso”, disse o jornalista e escritor ao Observador, minutos depois de ter terminado a conferência de imprensa em Alvalade. Uma conferência de imprensa que, de resto, Sousa Tavares não viu. “Já chega de Bruno de Carvalho a falar dele próprio, mas de certeza que as referências que fez não foi ao meu texto mas à chamada de capa”, acrescentou.

Numa das alíneas do dossiê “Sporting” destacado na capa do semanário, lê-se: “Sousa Tavares: Brunos de Carvalho devem ser mortos à nascença”. O título do artigo, esse sim da autoria do escritor, é: “Como nascem os Brunos de Carvalho. E porque devem ser mortos à nascença”. No artigo, Miguel Sousa Tavares explica como a demagogia associada à figura de Bruno de Carvalho era “cristalinamente clara” desde o primeiro dia, pelo que devia ter sido travada.

“[Bruno de Carvalho] é, à vista desarmada, um narciso doentio, vaidoso e egocêntrico, sedento de um protagonismo insaciável, um Kim Jong-un da Reboleira. Porém, mais do que os 90% de povo sportinguista que o seguiram — e que metem medo porque demonstram como a ocasião pode fazer triunfar o demagogo — o que impressiona é perceber como tantos que, pelo menos, não poderiam deixar de ver o ridículo do personagem, o seu evidente descontrolo psicológico, o perigo do seu distúrbio de personalidade, o aventureirismo da sua óbvia incompetência, não viram nada disto e até ao fim o seguiram como cordeirinhos para o matadouro”, lê-se no artigo de opinião.

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No final da crónica, Sousa Tavares explica que o que “assusta” é o facto de a demagogia ter estado bem à frente do nariz de todos, incluindo de figuras letradas (“elites”) como o psiquiatra Daniel Sampaio, o jornalista Daniel Oliveira, ou o médico Eduardo Barroso, e mesmo assim não ter sido detetada por eles, que votaram em Bruno de Carvalho. “Porque os Brunos de Carvalho do futebol antecipam o que poderá ser um dia o aparecimento dos Brunos de Carvalho da política. E, a avaliar pelo que vimos no Sporting, o povo está maduro para lhes abrir os braços. O povo e as pretensas elites, que se julgava educadas para defender a democracia contra a demagogia”, escreve.

Na conferência de imprensa, Bruno de Carvalho referiu várias vezes o artigo, lembrando inclusive um processo antigo que interpôs contra o mesmo jornalista e do qual Sousa Tavares saiu ilibado em nome da liberdade de expressão. Mas Bruno de Carvalho não esquece, e voltou a desafiar a Entidade Reguladora para a Comunicação, o sindicato dos jornalistas e os juízes a estarem atentos ao artigo deste sábado.

Entretanto, o semanário Expresso abriu o artigo em questão a todos os leitores, e não apenas a assinantes, e emitiu uma nota da direção onde dá um passo atrás para contextualizar a chamada de capa, “deixando claro que é uma expressão não literal e que critica os demagogos em geral”. “Porque a chamada de primeira página pode levar a uma leitura errada porque não contextualizada, a direção do Expresso vem deixar claro que a frase é não literal e se refere aos demagogos em geral, como resulta claro da leitura integral do texto. Para amplificar este esclarecimento, o texto foi aberto a todos os leitores”, lê-se.

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