Augusto Santos Silva

Santos Silva considera situação “lamentável” e promete apoio a portugueses na Venezuela

O ministro dos Negócios Estrangeiros considerou "lamentável" a forma como decorreram as eleições presidenciais na Venezuela.

FERNANDO VELUDO/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

O ministro dos Negócios Estrangeiros considerou esta segunda-feira “lamentável” a forma como decorreram as eleições presidenciais de domingo na Venezuela, mas assegurou que o Governo português não tomará qualquer atitude que “prejudique” os portugueses e lusodescendentes ali residentes.

“Essa tem sido a minha preocupação essencial. Qualquer medida ou atitude que o Governo tome face à Venezuela depende da resposta a esta pergunta muito simples: essa atitude prejudica ou beneficia a comunidade portuguesa e lusodescendente? Se beneficia nós tomamos, se prejudica não tomamos”, afirmou Augusto Santos Silva, em declarações aos jornalistas à margem da conferência de lançamento do novo programa Exportar Online, em Matosinhos, no Porto.

Destacando as “relações bilaterais muito importantes” entre Portugal e a Venezuela, dado o “quase meio milhão de portugueses e luso-venezuelanos a residir” naquele país da América do Sul, o governante assegurou que o Governo português tudo fará “para [os] ajudar”. “Temos contacto com todas as autoridades venezuelanas – o Presidente e o seu Governo, mas também a Assembleia Nacional – e cuidaremos de ver como é que as nossas relações bilaterais vão evoluir, na certeza porém de que nada faremos que prejudique os interesses dos portugueses e dos lusodescendentes que residem na Venezuela”, disse.

Segundo Santos Silva, é “lamentável” a forma como as eleições de domingo decorreram, com um “elevado número de irregularidades reportadas”, mas “tudo isso tinha sido previsto e de tudo isto se tinha avisado as autoridades venezuelanas”.

“Nós registamos e lamentamos que as eleições tenham decorrido ontem nas condições que tínhamos previsto, isto é, com uma fraca participação popular (foi mais o número de eleitores que não votou do que o número de eleitores que votou), num prazo que era injustificado (visto que o novo Presidente só toma posse em 2019), em condições de organização que não mereceram o consenso das várias forças concorrentes (visto que o Conselho Nacional Eleitoral tem uma composição que não espelha a diversidade do país) e num quadro institucional caracterizado pela negação sistemática das competências institucionais da Assembleia Nacional”, sustentou.

De acordo com o chefe da diplomacia portuguesa, este tema será “objeto de debate” na reunião da próxima segunda-feira, dia 28, dos ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia, da qual deverá sair “uma reação coletiva” e na qual será avaliado como poderá a União Europeia “contribuir para que a Venezuela possa resolver a crise política em que vive” e “acudir à situação dramática que os venezuelanos vivem em termos económicos e sociais”.

O chefe de Estado venezuelano, Nicolas Maduro, foi declarado vencedor das eleições presidenciais de domingo pela autoridade eleitoral, com perto de 70% dos votos, depois de contados quase todos os boletins.

Maduro obteve 67,7% dos votos contra os 21,2% do principal adversário, Henri Falcon, anunciou a presidente do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Venezuela, Tibisay Lucena, que afirmou tratar-se de uma “tendência irreversível”. De acordo com o CNE, Maduro foi reeleito com 5.823.728 votos, tendo sido registados um total de 8.603.936 votos válidos, que correspondem a uma participação de 46% dos 20.527.571 eleitores.

O opositor Henri Falcon obteve 1.820.552 votos. O pastor evangélico Javier Bertucci 925.042 e o engenheiro Reinaldo Quijada 34.6714 votos, indicou o CNE.

Apesar de reeleito, Maduro perdeu 1.763.851 votos, em relação a 2013, altura em que foi eleito sucessor do antigo Presidente Hugo Chávez (que presidiu o país entre 1999 e 2013) com 7.587.579.

Todos queremos saber mais. E escolher bem.

A vida é feita de escolhas. E as escolhas devem ser informadas.

Há uns meses o Observador fez uma escolha: uma parte dos artigos que publicamos deixariam de ser de acesso totalmente livre. Esses artigos Premium, por regra aqueles onde fazemos um maior investimento editorial e que mais diferenciam o nosso projecto, constituem a base do nosso programa de assinaturas.

Este programa Premium não tolheu o nosso crescimento – arrancámos mesmo 2019 com os melhores resultados de sempre.

Este programa tornou-nos mesmo mais exigentes com o jornalismo que fazemos – um jornalismo que informa e explica, um jornalismo que investiga e incomoda, um jornalismo independente e sem medo. E diferente.

Este programa está a permitir que tenhamos uma nova fonte de receitas e não dependamos apenas da publicidade – porque não há futuro para a imprensa livre se isso não acontecer.

O Observador existe para servir os seus leitores e permitir que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia. Por isso o Observador também é dos seus leitores e necessita deles, tem de contar com eles. Como subscritores do programa de assinaturas Observador Premium.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
China

Vamos mesmo ignorar isto? /premium

Sebastião Bugalho

A Europa assumiu pela primeira vez que o expansionismo da China representa uma ameaça para o continente e os jornais portugueses, que tão competentemente cobriram a visita de Xi, não fazem perguntas?

Governo

Quem quer casar com um governante?

Luís Reis

Se Soares foi Presidente-Rei, Costa revelou-se Primeiro-Ministro-Rei chamando o seu reduto doméstico a participar no governo dos súbditos, um nepotismo rosa instalado e a preparar a sucessão dinástica

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)