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Congresso do PS

Nova direção de Costa lança a geração dos sub-50

Entram nove novos nomes da direção de António Costa, oito deles sub-50 e membros do seu Governo. No secretariado vão estar também sentados dois dos nomes que se posiconam para o pós-costismo.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Desta vez não houve a habitual mercearia dos congressos partidários, com os trabalhos a terem nos seus bastidores um corrupio de contactos para a constituição das listas do líder para os órgãos nacionais do partido. É certo que ainda falta a lista para a Comissão Nacional do partido, o órgão máximo entre congressos, mas António Costa quis entrar no Exposalão da Batalha já com a sua direção fechada e com um sinal claro, quando falta um ano para o próximo ciclo eleitoral: reanimar o partido, com uma direção mais política, com ligação umbilical ao Governo e cheia de rostos virados para o futuro socialista (aliás, muitos até se sobrepõem nesta ambição).

Para o secretariado nacional do partido entram nove novos nomes, oito deles sub-50 que fazem parte do Governo de António Costa. Com isto, o líder socialista pretende, segundo uma fonte do partido, “uma melhor articulação entre a estratégia do Governo e a do partido e por outro lado abrir espaço à geração seguinte”. Mas vamos a nomes.

À cabeça da lista entregue por Costa para a sua direção no partido saltam à vista duas secretárias de Estado que têm sido muito acarinhadas por António Costa dentro do Governo. A secretária de Estado Adjunta e da Educação, Alexandra Leitão, e a secretária de Estado do Turismo, Ana Mendes Godinho. Alexandra Leitão deu a cara pelo Governo durante a forte contestação à redução dos contratos de associação dos colégios particulares, que chegou à porta do congresso socialista de há dois anos com uma sonora manifestação que pôs Costa a defender, no palco do congresso, o ministro. Mas neste congresso é a secretária de Estado de Tiago Brandão Rodrigues que ganha palco.

Alexandra Leitão é secretária de Estado no Ministério da Educação

Ana Mendes Godinho é outra cara nova que os socialistas vão passar a ter na direção do partido, é secretaria de Estado do Turismo, tendo começado nesta área como adjunta de Bernardo Trindade que ocupou a mesma pasta no primeiro Governo de José Sócrates. Depois disso foi vice-presidente do Turismo de Portugal e já está debaixo da atenção do líder do partido há algum tempo.

Ana Mendes Godinho é secretária de Estado do Turismo

Do núcleo político do Governo para o núcleo do partido

A secretária de Estado Adjunta do primeiro-ministro, Mariana Vieira da Silva, é o braço direito de António Costa no Governo e agora também entra para o seu secretariado. Ao seu lado terá outros dois membros do núcleo político de Costa no Executivo: o secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, Pedro Nuno Santos, responsável pela coordenação dos partidos que apoiam o Governo no Parlamento, e ainda o ministro do Planeamento e das Infraestruturas Pedro Marques.

Marcos Perestrello, secretário de Estado da Defesa, volta para junto do líder socialista, depois de algum afastamento público, já que este socialista era, em 2015, um dos menos entusiastas da “geringonça”. Nessa altura, discordou da opção de António Costa em apoiar-se na esquerda para governar — mesmo assim, acabou por entrar no seu elenco governativo. Andou mais afastado do núcleo político de Costa, que basicamente também se tem cingido ao que existe no Governo, nos últimos anos. A um ano de eleições legislativas, Costa quer mudar isto.

Marcos Perestrello volta a aproximar-se do núcleo político de António Costa

Há ainda outro elemento do Governo que volta à direção socialista: a secretária de Estado da Modernização Administrativa Graça Fonseca. É muito próxima do líder socialista, já vem com ele desde o Ministério da Administração Interna, em 2005 e 2006, e com ele passou para a Câmara Municipal de Lisboa, onde chegou a ter os pelouros da Economia, Inovação, Educação e Reforma Administrativa.

Na direção de Costa mantém-se Fernando Medina, o homem que lhe sucedeu na Câmara de Lisboa e que é apontado como um dos nomes que lhe pode também suceder no PS. Aliás, não é o único socialista que António Costa tem na lista para o secretariado que se posiciona para esse tempo futuro. Nessa corrida de fundo, Pedro Nuno Santos concorre noutra pista. O secretariado de António Costa parece dar o tiro de partida oficial.

Galamba diz que não foi despromovido

João Galamba sai de porta-voz do partido e garante que não se trata de nenhuma despromoção e que terá deixado a seu pedido a comissão permanente, o órgão mais operacional do partido e que funciona junto da secretária-geral adjunta, Ana Catarina Mendes. “Foi-me feito o convite para continuar e eu disse que preferia ficar no Secretariado. Não posso ser porta-voz de um órgão a que não pertenço, só isso. Não pertenço a esse órgão voluntariamente, não houve nenhuma divergência com ninguém”, explicou o socialista à Lusa. António Costa aceitou colocá-lo na direção do partido. Ao secretariado de Costa volta também Porfírio Silva, um velho amigo de António Costa que assumiu no partido a área das relações internacionais nos últimos anos.

Mantêm-se no órgão mais restrito do partido Eurico Brilhante Dias, um nome do segurismo no PS que António Costa integrou já no último secretariado e que agora mantém, um ano depois de o ter chamado também para o Governo, para assumir a secretaria de Estado da Internacionalização. Eduardo Vítor Rodrigues, Isilda Gomes, José Manuel Mesquita e Maria do Céu Albuquerque mantêm também os seus lugares na direção de António Costa.

Quem saiu? O sociólogo Rui Pena Pires, o deputado Filipe Neto Brandão, as deputadas Maria da Luz Rosinha e Wanda Guimarães, o deputado da Assembleia Regional dos Açores Francisco César, Carlos Tavares, José Leitão, João Azevedo e Susana Ramos. Alguns deles passaram para a comissão permanente do partido, responsável pela gestão diária do partido: Maria da Luz Rosinha, Rui Pena Pires e Susana Ramos.

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Maioria de Esquerda

Geringonças e blocos centrais /premium

João Marques de Almeida
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Depois da sua posição, se quiser ser coerente (não é evidente que queira), Rio terá que defender um referendo à eutanásia. Os temas de consciência individual não podem ser decididos só pelos deputados

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