Na terça-feira, representantes do canal de televisão público israelita, KAN, reuniram-se em Genebra com a direção da União Europeia de Radiotelevisão (EBU) para começar a preparar a edição de 2019 da Eurovisão, que se realiza em Israel. Representantes da RTP estiveram também presentes na reunião, de acordo com a informação divulgada pela EBU, que serviu para acertar datas para os principais momentos de preparação do evento.

A confirmação da edição israelita da Eurovisão por parte da EBU vem assim afastar todas as dúvidas relativamente à realização do evento. Chegou a ser noticiado, nomeadamente pelo jornal Haaretz, que a entidade organizadora do festival da canção temia que a tensa situação política israelita fosse prejudicial à Eurovisão. A própria EBU apelou aos fãs do evento, em finais de maio, que não reservassem voos ou hotéis enquanto não fossem “dadas informações oficiais sobre o local e a data” do mesmo, informação que não foi adiantada.

Numa nota divulgada no Twitter na terça-feira, a União Europeia de Radiotelevisão adiantou que “o planeamento para o evento do próximo ano” já começou e que, “como nos anos anteriores, a decisão sobre a cidade irá receber o concurso será feita através de um processo de candidaturas”. A localidade escolhida será anunciada em setembro, juntamente com todas as “datas oficiais”, explicou a EBU.

Segundo as regras da EBU, a KAN tem de apresentar pelo menos duas opções. Os oficiais israelitas têm apontado a cidade de Jerusalém como a principal favorita, mas a entidade organizadora do concurso de música prefere que o evento seja realizado num lugar “menos controverso”. Tel Aviv, Haifa (na costa mediterrânica) e Eilat são algumas das opções que podem estar em cima da mesa de negociações. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu já terá concordado em manter-se afastado da decisão.

Jerusalém tem sido o centro da mais recente controvérsia no conflito israelo-palestiniano, depois de o presidente norte-americano Donald Trump ter anunciado a transferência da embaixada dos Estados Unidos da América de Tel Aviv para esta cidade, reconhecendo-a como capital do estado israelita. A instalação de um primeiro departamento diplomático norte-americano em Israel aconteceu no passado dia 14 de maio e deu origem a vários confrontos, que provocaram a morte de 60 palestinianos. Trump anunciou, entretanto, o adiamento por seis meses de mudança da embaixada.