De um lado, Bruno de Carvalho e Elsa Judas. Do outro três cadeiras vazias, a registar a ausência de Jaime Marta Soares, Artur Torres Pereira (que à hora do debate estava a dar uma entrevista na TVI24) e Henrique Monteiro. O presidente do Sporting, suspenso de funções, garantiu esta noite, em declarações na Sporting TV, que se for destituído na Assembleia Geral de dia 23 e a votação for fidedigna, abandona a presidência do clube e não se recandidata à liderança.

Bruno de Carvalho esteve ao ataque e acusou o antigo médico do clube e anunciado candidato à presidência do clube, Frederico Varandas, de o ter abandonado durante o jogo entre o Sporting e o Paços de Ferreira com dores nas costas.

“A dor era tão grande que por vezes corriam-me lágrimas que eu só esperava que não fossem filmadas para não pensarem que estava triste pelos assobios ou pelo Sporting.  O doutor varandas abandonou-me no banco de suplentes, eu não me conseguia levantar com dores inenarráveis nas costas. Abandonou-me para ir fazer a volta olímpica e deixou-me ali sozinho”, afirmou Bruno de Carvalho em declarações na Sporting TV.

“Se receber um ‘não’ na Assembleia Geral, não me recandidato”

Sobre a Assembleia Geral destitutiva de dia 23 de junho, Bruno de Carvalho diz que não se recandidata se tudo for feito de forma limpa e os sócios votarem pela sua destituição: “Se receber um não e se tudo naquela Assembleia Geral for fidedigno, não só não meto mais lá os pés a partir desse dia, como escusam de me expulsar de sócio, porque não me recandidato”.

Quanto à sua presença na Assembleia Geral, Bruno de Carvalho coloca uma condição para estar presente, lançando um desafio ao presidente da Mesa da Assembleia Geral:

Jaime Marta Soares amanhã desfaz a Comissão de Fiscalização que criou e a Comissão de Gestão que criou. Eu amanhã desfaço a Comissão de Transição da Mesa da Assembleia Geral (CTMAG) que criei e a Comissão de Fiscalização que criei. Paramos todos com as providências cautelares. E o que vai acontecer? Isto: o Conselho Diretivo vai estar em pleno funcionamento na Assembleia Geral. E fazíamos assim: para a Mesa, que está uma mesa demissionária, ficaria Jaime Marta Soares, Eduarda Proença de Carvalho e os três elementos por mim indicados da CTMAG, que desaparecia. E a Comissão de Fiscalização seriam três elementos indicados por ele e três elementos indicados por mim.”

Depois, Bruno de Carvalho sugere que não marcará presença com a atual configuração, onde não teria o estatuto que considera adequado para o presidente do Sporting: “Então eu ia lá para legitimar algo que eu não reconheço? Eu não reconheço a Mesa, não reconheço a Comissão de Fiscalização e não reconheço a Comissão de Estado.”

O presidente do Sporting diz ainda que não reconhece “nenhuma” legitimidade à AG e que tinha tudo para a impugnar cinco segundos depois. Questiona, por exemplo, em que lugar se ia sentar: “Onde é que eu ia estar nessa AG? Fisicamente onde é que eu ia estar? Nessa aberração que Jaime Marta Soares quer fazer, e que me quer deixar falar, eu ia estar onde? Por debaixo do Torres Pereira? Portanto, o presidente do SCP, ia a uma AG sentar-se numa cadeira onde estava Torres Pereira como presidente do clube, Marta Soares como presidente da AG?”

“Se estivesse lá ou tinha morrido ali ou corria com aquelas pessoas”

Quanto aos incidentes de Alcochete, Bruno de Carvalho lembrou que não estava na Academia porque estava a reunir com advogados na sequência do caso Cashball. Mas, se estivesse, tudo teria sido diferente. “Se estivesse lá, não havia AG de dia 23. Porque inha acontecido uma de duas coisas: ou tinha morrido ali, e  já não estava cá. Ou não tinha acontecido absolutamente nada a não ser eu correr com aquelas pessoas dali. Naquele instante em que entravam, era o preciso instante em que saíam”.

Ainda sobre a AG de dia 23, Bruno de Carvalho tem a “teoria que nada tem a ver com a Academia” mas com a entrevista que deu ao DN a anunciar que tinha “conseguido que os sportinguistas fiquem com 90% da SAD no próximo ano”.

Sobre as rescisões dos jogadores, Bruno de Carvalho faz a leitura de que “implicitamente está na nota de culpa” que foi ele o “mandante daquilo tudo [o ataque aos jogadores em Alcochete].”

Bruno de Carvalho voltou a abordar a questão do post que escreveu após o jogo com o Atlético de Madrid e que motivou uma reação dos jogadores, acusando os mesmo de “traição”. “Ficou combinado que ninguém fazia mais nada e que reuniríamos a seguir ao jogo de Paços de Ferreira (…) Para nosso espanto, passado duas horas disto estar combinado houve um post dos jogadores todos no instagram (…) Há aqui também um sentimento de traição: se nós combinamos algo com alguém (…) aquele post foi uma traição para uma combinação feita“, afirmou o presidente do Sporting.

Bruno de Carvalho disse ainda que ao perceber que “50% dos sportinguistas” não queriam que fizesse aquele tipo de críticas, o presidente admitiu que percebeu que só teve “uma coisa a fazer: apagar e não voltar a fazê-las”. O presidente do Sporting disse ainda que a única pessoa que sofreu com o post foi ele próprio: “Quem sofreu com esse post fui eu. Todos os efeitos desse post sofri-os eu a 8 de abril”.