O futebol tem destas coisas: nem sempre quem estuda mais tem melhor nota no teste. O jogo que opôs a armada portuguesa de Nuno Espírito Santo ao Leicester de Ricardo Pereira (e de Adrien Silva, que começou no banco e só entrou aos 82′) é disso prova e mostra o lado mais ingrato, mas também mais empolgante do desporto-rei. Num azar tudo muda e tudo se decide: Rui Patrício acabou por ser traído por um dos seus e aquele golo que parecia impensável de acontecer para quem assistia ao jogo mudou o rumo final dos acontecimentos.

A armada lusa do Wolverhampton, composta por Rui Patrício, João Moutinho, Diogo Jota, Rúben Neves e Hélder Costa – além do ex-central portista Boly e do antigo avançado das águias Raúl Jiménez – entrou a todo o gás na partida, com Moutinho, logo aos três minutos, a atirar uma bomba à barra no (muito) espaço deixado pela defensiva do Leicester. Foi outro conhecido dos portugueses, Jiménez, que voltou a fazer a bola tocar nos ferros, desta vez no poste, aos 21 minutos.

A equipa comandada por Nuno Espírito Santo parecia levar a lição bem estudada. Uma primeira fase de construção nos três centrais, Moutinho estrategicamente à entrada da área, a pegar no jogo, Rúben Neves a distribuir, e a bola a chegar, na maioria das vezes de forma longa, aos homens da frente. Muita pressão, atenção ao espaço nas costas – que o Leicester não conseguia aproveitar – e o jogo parecia controlado.

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Só parecia. É que a estratégia estava bem montada, mas houve um aluno que não a percebeu bem: Doherty, que já tinha falhado um golo certo numa bola cortada in extremis por Colwell aos 3′, acabou por trair Rui Patrício: o lateral cabeceou para a própria baliza num cruzamento que parecia inofensivo e inaugurou o marcador para a equipa que menos o merecia. O golo foi a chave que abriu o jogo e permitiu ao Leicester equilibrar os pratos da balança. Já em cima do intervalo, Ricardo Pereira – que começou como lateral mas que foi subindo cada vez mais no terreno e ganhando preponderância nos momentos ofensivos – puxou para dentro e serviu Maddison, que conseguiu bater Rui Patrício (a bola ainda desviou num defesa e traiu o guarda-redes português).

A segunda parte começou com duas mudanças e menos dois portugueses nos Wolves: Traoré e Léo Bonatini entraram para os lugares de Hélder Costa e Diogo Jota. A equipa de Nuno Espírito Santo tentou voltar à pressão dos primeiros minutos, acabou por ter o ascendente do segundo tempo, mas teve muitas dificuldades em ultrapassar a muralha de cinco homens que tapava os caminhos para a baliza dos foxes.

Mesmo a jogar contra menos um homem – o Leicester ficou reduzido a 10 depois de Vardy ter varrido Doherty (que teve mesmo de ser substituído com queixas no joelho) –, o Wolverhampton não conseguiu mais do que um remate aos ferros (o terceiro da partida), desta vez por Jonny Castro (81′), que arrancou pela esquerda mas perdeu o ângulo que lhe permitiria ser mais feliz na finalização.

Já com mais um português em campo, Adrien Silva (que entrou aos 82′), Rúben Neves voltou a encher o pé. Mas ao contrário do que aconteceria na primeira jornada frente ao Everton de Marco Silva (em que apontou um grande golo), desta vez o remate morreu nas mãos de Kasper Schmeichel (que também já teve uma passagem pelo futebol português, mais concretamente pelo Estoril, quando o pai Peter defendia as cores do Sporting). No final venceu a eficácia e o oportunismo do Leicester, que fizeram com que Rui Patrício conseguisse algo que nunca conseguiu em Portugal, enquanto defendeu as cores dos leões: sofrer quatro golos nas duas primeiras jornadas.

A primeira vitória de Marco Silva no Everton

Marco Silva conseguiu estrear-se em Goodison Park com uma vitória (2-1) sobre o Southampton de Cédric Soares (Jan Kruger/Getty Images)

No outro jogo que decorria ao mesmo tempo, e que também envolvia portugueses, o Everton de Marco Silva e André Gomes (que não esteve disponível devido a uma lesão na coxa) conseguiu a primeira vitória ao comando dos toffees, e logo em Goodison Park, frente ao Southampton de Cédric Soares.

A equipa de Marco Silva, que na primeira jornada tinha empatado a dois golos frente, precisamente, ao Wolverhampton de Nuno Espírito Santo, começou mais pressionante e colheu os frutos aos 15 minutos, com Walcott a marcar o primeiro, depois da assistência de Schneiderlin em profundidade, e ainda a assistir Richarlison para o segundo (31′), tornando o brasileiro no melhor marcador dos toffees até ao momento, com três golos em dois jogos. Na segunda parte, o Southampton ainda recuperou, fazendo o 2-1 por intermédio de Danny Ings (54′), que deu a melhor sequência a um canto de Mario Lemina, mas não foi suficiente para mudar a sorte do treinador português na partida.