Scott Morrison foi esta sexta-feira eleito líder do Partido Liberal australiano e, consequentemente, vai assumir funções como primeiro-ministro, derrubando Malcolm Turnbull que ocupava o cargo desde setembro de 2015, anunciou o partido. Morrison, que até aqui era ministro do Tesouro, será o 30º primeiro-ministro australiano (o quinto em apenas onze anos), confirmando a instabilidade que tem marcado nos últimos anos os dois maiores partidos, Trabalhistas e Liberais.

Uma porta-voz do Partido Liberal informou ainda que o atual ministro do Ambiente e Energia, Josh Frydenberg, foi eleito número dois, com ampla maioria. A decisão foi tomada pela liderança parlamentar do Partido Liberal que, depois de uma semana de tensão interna, votou hoje pela substituição de Malcolm Turnbull por Scott Morrison na liderança do partido e, consequentemente, do Governo.

Numa primeira votação apresentaram-se três candidatos: Dutton, Scott Morrison e Julie Bishop (até então número dois do partido e ainda ministra dos Negócios estrangeiros), tendo a chefe da diplomacia australiana sido a menos votada. Na segunda ronda de votação, Morrison obteve 45 votos e Dutton obteve 40 votos, numa grande derrota para Dutton que, por duas vezes, tentou chegar à liderança e falhou.

A reunião dos 85 deputados e senadores liberais confirmou numa primeira votação – 45 contra 40 votos – que os cargos de líder e vice-líder do partido, e consequentemente do Governo, deveriam ir a votação. Essa primeira votação confirmou a polarização dentro do partido, com um grupo significativo a pretender manter a liderança de Turnbull, que sobreviveu a um primeiro desafio à sua liderança na terça-feira.

O primeiro-ministro tinha anunciado na quinta-feira que se este primeiro voto fosse aprovado ele próprio não se candidataria, colocando o seu lugar à disposição. Fontes partidárias avançaram que Turnbull pode mesmo demitir-se como deputado, deixando o partido liberal numa situação complicada no parlamento onde tem uma maioria de um só lugar.