A coordenadora bloquista defendeu esta quarta-feira que, antes da liberalização do transporte ferroviário de passageiros, é preciso garantir os contratos de concessão com a CP para todas as linhas, incluindo o longo curso, porque seria desastroso ficar sem serviço público.

“A partir de janeiro, há uma liberalização dos caminhos de ferro, ou seja, com a possibilidade de operação de privados de operadoras de outros países no nosso país, e se a CP não tiver capacidade podemos ficar em Portugal sem garantia de serviço público ferroviário e isso seria desastroso”, alertou Catarina Martins em declarações aos jornalistas esta quarta-feira, em Lisboa.

A coordenadora do BE – que falava após uma reunião com Sindicato Ferroviário da Revisão Comercial Itinerante – defendeu a necessidade de “garantir que antes da liberalização do espaço ferroviário se fazem os necessários contratos com a CP para todas as linhas, incluindo as de longo curso”.

Porque ninguém está a imaginar que venha uma empresa de outro país ou um privado para fazer aqueles serviços que não dão lucro, mas são essenciais à coesão territorial. Todos os apetites pelo longo curso, que dá dinheiro, pouca capacidade de fazer depois das ligações regionais e urbanas que são essenciais”, alertou.

Por isso, Catarina Martins insistiu que se garanta que “até ao final do ano o contrato de concessão dos serviços de comboios em Portugal é feito com a CP”, assegurando assim que “em Portugal a CP, empresa pública, é concessionária de todos os comboios, incluindo do longo curso”.

De acordo com indicações da União Europeia, a liberalização do mercado ferroviário europeu inicia-se em 2019 e tem um período de adaptação até março de 2020. Para a líder bloquista, não se pode “deixar que as linhas lucrativas vão para empresas privadas ou de outros países e deixar deteriorar, mais, tanto as contas da CP como a capacidade de ter ligações em todo o território”.

Achamos que o ministro das Finanças não pode ser um obstáculo aos investimentos que o país já decidiu que são essenciais e aos acordos que foram feitos em cada área e que foram feitos cumprindo os orçamentos que existem”, disse ainda.

Nada justifica, continuou, que “o Ministério das Finanças, em vez de ser um ministério que faz o país funcionar, seja um ministério que atrasa despesas fundamentais para o funcionamento todos os dias das nossas empresas”.

Para o BE há mais duas prioridades em relação à ferrovia, cuja situação é preocupante, “a que o Governo deve responder de uma forma muito transparente”. Assim, a líder bloquista quer que “o plano de investimento avance imediatamente”, não deixando de fora o longo curso”, e que a contração de pessoal necessário seja assegurada.

Estamos a viver a situação um bocadinho absurda em Portugal de termos a direita chocada com a falta de investimento na ferrovia quando o que fez foi desinvestir enquanto pode, mas temos também um Governo que dizendo que quer o investimento de facto tem vindo a desinvestir e agora apresenta um plano de investimento que é metade do que tinha sido prometido há um ano”, criticou.