O governo aprovou esta quinta-feira, último dia da greve dos professores, a recuperação de 2 anos, 9 meses e 18 dias do tempo de serviço que esteve congelado na carreira docente. No total, e dividido em duas fases diferentes, os professores tiveram a sua carreira congelada num total de 9 anos, 4 meses e 2 dias, primeiro entre 2005 e 2007 e depois durante a estada da troika no país. O impasse nas negociações, com os sindicatos a exigir a recuperação do tempo total, levou à convocação da greve de quatro dias, dividida por regiões, e que culmina, na sexta-feira, com uma manifestação em Lisboa.

No final do Conselho de Ministros, que aprovou o decreto-lei que já tinha sido apresentado aos parceiros sociais na sexta-feira passada como prevê a lei, o ministro Tiago Brandão Rodrigues reiterou que esta opção, que agora toma forma de lei, sempre foi a posição do Executivo.

“Já o tinha dito o primeiro-ministro, disse-o eu repetidas vezes, disse-o depois da reunião suplementar pedida pelos sindicatos, depois de um processo negocial que foi longo, onde o governo foi flexível e os sindicatos foram inflexíveis”, sustentou o titular da pasta da Educação.

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“A decisão que agora está aqui, em decreto-lei, mostra qual é a posição do governo” sobre a recuperação do tempo de serviço, argumentou o governante, opção escolhida por ter “paralelismo nas carreiras da função pública”. Durante a conferência de imprensa, Tiago Brandão Rodrigues explicou ainda que a recuperação prevista terá efeitos a partir de 1 de janeiro do próximo ano.

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Em comunicado enviado às redações, Mário Nogueira, secretário-geral da Fenprof, sustenta que esta decisão do governo “rouba 6,5 anos de serviço aos professores”, revelando “grandes inoportunidade, falta de respeito e completo desprezo pela vida profissional de todos os docentes portugueses”.

A posição oficial dos professores será apresentada esta tarde, durante uma conferência de imprensa. Na terça-feira, Nogueira avisou que a” luta dos docentes poderá continuar” até que o Governo ceda às suas exigências.

“O senhor primeiro ministro e o Governo que não fiquem convencidos de que fazer esta guerra aos professores lhes dá votos e simpatia, porque o que encontrámos à porta das escolas é a compreensão dos pais ao dizerem que os professores têm razão”, sublinhou o líder da Fenprof.